Cadeira nº 34

Edino Krieger

Patrono José de Araujo Vianna

Fundador Newton Pádua

1º Sucessor Guerra-Peixe

edino_kriegerNascido em Brusque, Santa Catarina, Brasil, a 17 de março de 1928, descendente de alemães e italianos do lado paterno, e de portugueses e índios do lado materno. Iniciou aos 7 anos estudos de violino com seu pai, Aldo Krieger, violinista, compositor, regente e fundador do Conservatório de Música local. Realizou recitais de violino em diversas cidades a partir dos 9 anos e aos 15 transferiu-se para o Rio de Janeiro, com bolsa de estudos do governo do estado, para prosseguir seus estudos no Conservatório Brasileiro de Música, onde iniciou estudos de contraponto, harmonia e composição com H. J. Koellreutter, compositor e professor alemão chegado ao Brasil no período da 2ª Guerra Mundial.

Em 1945 recebeu o Prêmio Música Viva por seu Trio de Sopros, passando então a integrar o Grupo Música Viva de compositores de vanguarda, ao lado de Koellreutter, Claudio Santoro, Guerra-Peixe e Eunice Catunda. Em 1948 foi escolhido em concurso para estudar com Aaron Copland, no Berkshire Music Center de Massachussets, Estados Unidos, onde assistiu também aulas de Darius Milhaud. Em seguida estagiou por um ano na Juilliard School of Music de Nova Iorque, na classe de composição de Peter Mennin. Estudou tambem violino com William Nowinsky, assistente de Ivan  Galamian, na Henry Street Settlement School of Music. Representou a Juilliard no Simpósio de Compositores dos Estados Unidos e Canadá realizado em Boston, e atuou como violinista da Mozart Orchestra de Nova Iorque.

Retornando ao Brasil em 1950, iniciou uma atividade permanente como produtor de programas musicais para a Rádio Ministério da Educação, onde exerceu a função de diretor musical e organizou a Orquestra Sinfônica Nacional. De 1950 a 1952 exerceu a crítica musical do jornal "Tribuna da Imprensa". Em 1952 realizou estudos com Ernst Krenek no III Curso Internacional de Verão de Teresópolis, RJ. Em 1955 obteve o Prêmio Internacional da Paz do Festival de Varsóvia e o Prêmio da Fundação Rottelini de Roma.

Como bolsista do Conselho Britânico, estudou em Londres durante um ano com Lennox Berkeley, da Royal Academy of Music. Em 1959 obteve o primeiro prêmio no I Concurso Nacional de Composição instituído pelo Ministério da Educação, com o Divertimento para Cordas, e recebeu Medalha de Honra do Cinquentenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1961 seu Quarteto de Cordas nº  1 obteve o Prêmio Nacional do Disco.

Em 1965 suas Variações Elementares foram estreadas no III Festival Interamericano de Música de Washington, e no ano seguinte seu Ludus Symphonicus era estreado pela Orquestra de Filadelfia no III Festival de Música de Caracas, Venezuela. Em 1966 e 1967 obteve Medalha de Ouro nos Festivais Internacionais da Canção, no Rio de Janeiro. Em 1969 e 1970 organizou e dirigiu os Festivais de Música da Guanabara, dos quais se originaram, a partir de 1975, as Bienais de Música Brasileira Contemporânea. Em 1969 e 1988 recebeu o Troféu Golfinho de Ouro pelo conjunto de sua obra. 

Sua evolução estética parte do impressionismo do Improviso para flauta, de 1944, para alcançar o serialismo com o Trio de Sopros, de 1945. Em 1952 abandona o serialismo em favor de uma experimentação mais profunda das formas e linguagens tradicionais e da temática musical de caráter brasileiro. Em 1965, com as Variações Elementares, inicia uma síntese de suas experiências anteriores, passando a utilizar recursos de vanguarda e tradicionais, juntamente com elementos absorvidos da cultura musical brasileira.

Dirigiu a divisão de música clássica da "Rádio Jornal do Brasil" e exerceu a crítica musical no "Jornal do Brasil". Em 1976 assumiu a direção artística da FUNTERJ - Fundação de Teatros do Rio de Janeiro, e nessa função organizou a temporada de reabertura do Theatro Municipal e o Centro de Produções Teatrais de Inhaúma. Em 1979 criou o Projeto Memória Musical Brasileira/PRO-MEMUS, junto ao Instituto Nacional de Arte da FUNARTE - Fundação Nacional de Arte, do Ministério da Cultura. De 1981 a 1989 exerceu a direção do Instituto Nacional de Música. Em 1989 assumiu a presidência da FUNARTE. De 2003 a 2006 exerceu a presidência da Fundação Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

Seu catálogo inclui obras para orquestra sinfônica e de câmara, oratórios, música de câmara, obras para coro e para vozes e instrumentos solistas, alem de partituras incidentais para teatro e cinema. Suas composições têm sido executadas com frequência no Brasil e no exterior, inclusive por orquestras do Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Recife, Bahia, Belo Horizonte, Liege, Bruxelas, Paris, Londres, Munique, Buenos Aires, Cordoba, Nova Iorque, Filadelfia, Washington, Colônia, Tóquio e outras. 

Em Tóquio, recebeu uma semana de homenagens, realizando seis palestras e tendo suas músicas, tanto as de câmara quanto sinfônicas, tocadas por músicos japoneses. Tem atuado também como regente, principalmente de suas próprias obras.
 
Além da Medalha do Mérito Cultural Cruz e Souza, conferida pelo Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina em 1997, e titular do Troféu Barriga-Verde, de 1977, recebeu a Medalha do Mérito Cultural Anita Garibaldi, atribuída pelo Estado de Santa Catarina em 1986. No ano anterior recebeu a Comenda da ordem cultural do Ministério da Cultura e Belas Artes da Polônia. Em 1994 recebeu o Prêmio Nacional da Música do Ministério da Cultura. É membro da Comissão Internacional para a Difusão da Cultura Catalã, de Barcelona, Espanha. É membro do Conselho Estadual de Cultura do Rio de Janeiro. Foi eleito, em 1998, presidente da Academia Brasileira de Música. Em 1998 foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, maior honraria concedida pela cidade do Rio de Janeiro a personalidades do meio cultural.

Em Bruxelas, Bélgica, como convidado, assistiu a estréia  européia de seu Concerto para dois violões e orquestra de cordas, pelo Duo Assad, e em Colonia, Alemanha, regeu a Orquestra Südwstfalen Philharmonie na execução de seu Canticum Naturale.

Obras principais

Sua produção inclui as 3 Imagens de Nova Friburgo (1988), para cordas e cravo, o Romance de Santa Cecilia (1989), para narrador, soprano, coro infantil e orquestra, a Camerata (1991), para 6 instrumentos, o Concerto para dois violões e cordas (1994), as Telas Sonoras (1997) para quarteto de cordas e o Te Deum Puerorum Brasiliae (1997), para coro infantil, coro juvenil, coro gregoriano, metais e percussão, elaborado com a utilização simultânea de 3 sistemas modais que contribuíram para a formação da cultura musical brasileira - o gregoriano, o indígena e o nordestino -, composto para as comemorações oficiais da visita de S.S. o Papa João Paulo II ao Rio de Janeiro, em 1997. Passacalha para o novo milênio, para orquestra (encomenda da OSESP – 1999 ); Terra Brasilis,  painel sinfônico, encomenda do Ministério da Cultura para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento, Passacalha para Fred Schneiter, para violão (2002), Momentos, para cravo (2002), Pequena Seresta para Bach, para violoncelo solo, encomenda de Antonio Meneses ( 2004 ), Variações carnavalescas, para marimba ( 2004 ), Fanfarras modulares, para orquestra ( 2005 ), Concerto para violoncelo e orquestra ( 2005, dedicado a Antonio Meneses ), Suíte Concertante,  para violão e orquestra (2005, dedicada a Turíbio Santos ) – as duas últimas compostas com apoio das Bolsas Vitae de Artes, 4 Imagens de Santa Catarina,  para orquestra de cordas e bateria opcional ( 2006 , encomenda da Camerata Florianópolis ), Ritmetrias, para orquestra ( 2006, encomenda do Festival Internacional de Música de Campos do Jordão, onde atuou com o compositor residente. 

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