Terra dos Homens
Ricardo Tacuchian

ABM Digital/2007

Por R$ 20,00

Terra dos Homens
Obras de Ricardo Tacuchian

Participações
Sara Cohen, piano
Paulo Passos, clarineta, clarinete baixo e sax alto
Marcelo Coutinho, barítono

Trilha
Músicas
Duração

01
02
03
04
Ciclo Lorca / Lorca Cycle (1979)
A Federico (texto de Carlos Drummond de Andrade)
Em Granada (texto de Alphonsus de Guimaraens Filho)
Canto a García Lorca (texto de Murilo Mendes)
Epílogo (texto de Carlos Drummond de Andrade)

05:48
03:34
08:04
01:10
05

Terra dos Homens / The World of man (2006)
09:29


06
07
08
Três cantos de amor / Three love songs (2002) - textos de Carlos Drummond de Andrade
Amar
Poema Patético
Toada do Amor


05:25
03:48
05:48
09
Pimenta do Reino / Black Pepper (1995)
05:51


10
11
Sonatina para clarone e piano (1963-2006)
Sonatina for bass clarinet and piano

Lento Allegro
Allegreto. Andante. Allegreto


06:31
06:31

12
13
14

Delaware Park Suite (1988)
Albright Knox Art Gallery
Picnic on the Lawn
Outdoor Concert

06:11
06:29
03:47

Tempo total 78:26
FICHA TÉCNICA

Direção musical: Ricardo Tacuchian
Produtora executiva: Elizete Higino
Produtora editorial:
Simone Ranna
Local de Gravação: Sala Cecília Meireles, Rio de Janeiro, 2006

O compositor comenta as obras:

* Terra dos Homens - Não queria um texto irônico ou folhetinesco. Recorri a Gerson Valle e lhe disse apenas que queria algo atual e filosófico. Uma semana depois, ele me entregou o poema, que era exatamente o que eu tinha em mente. Por sua vez, ele me disse que traduzi muito bem a poesia em música. Começa com uma longa passagem do clarone, até que a voz humana emerge, como vinda da terra. O texto fala da saga do homem, que começa e acaba na terra.

* Sonatina para clarone e piano - Tinha 24 anos, era aluno de composição na UFRJ e tinha José Siqueira como professor. Esta sonatina, feita originalmente para violoncelo e piano, foi um trabalho de classe. É muito melódica e nacionalista. Sempre fui um melodista. Mesmo quando compunha música de vanguarda, experimental, na década de 1970, colocava um gancho melódico no meio da massa sonora. Não queria perder contato com o público. No fim daquela década, deixei de lado o experimentalismo. A primeira música que marcou uma nova fase foi o "Ciclo Lorca".

* Ciclo Lorca - Minha motivação foi política. O ano era 1979. Vivíamos na ditadura. Fui um ativista informal. A morte de García Lorca na Guerra Civil Espanhola, que foi a última guerra romântica da História, na qual voluntários de 53 nacionalidades lutaram conta o nazi-fascismo, serviu de metáfora para falar da falta de liberdade que vivíamos no Brasil. É quase uma ópera trágica. É um lamento, que termina com uma mensagem de esperança.

* Três cantos de amor - São três poemas que Drummond escreveu em épocas diferentes, e cada um trata do amor de uma forma. Tentei traduzir o clima de cada um com minha música. Ela está a serviço do texto. Numa das canções, por exemplo, repete-se a pergunta "Que barulho é esse na escada?". No fim, o poeta responde que é alguém abafando o rumor que salta do seu coração. Nessa parte, o piano reproduz a pulsação cardíaca. É uma coisa sutil, porque, na arte, nada pode ser óbvio. Esse ciclo foi uma encomenda de uma fundação alemã para um evento em comemoração ao centenário de nascimento de Drummond de Andrade em 2002. Estreou em Bayreuth.

* Pimenta do reino - Composta em 1995, é parte de uma série instrumental associada a temperos diversos. Já fiz "Manjericão", para piano, "Alcaparras", para flauta, "Manjerona", para clarone, "Alecrim", para trompete, e "Páprica", para violão.

* Delaware Park Suite - Em 1987, cheguei aos Estados Unidos, onde morei até 1990. No primeiro dia lá, participei de um programa de visita ao Delaware Park. Pela manhã, conheci um museu. Depois, foi feito um piquenique na grama do parque. À noite, vi um show de jazz ao ar livre. No ano seguinte, vivendo em Los Angeles, registrei em música aquelas primeiras impressões que tive dos Estados Unidos.

Ricardo Tacuchian