A estética nacionalista inspira vivamente o compositor - tendência nativista que, segundo os cânones hauridos em Mário de Andrade, preside à gênese de sua obra, grande pianista, que seguiu a carreira de concertista e de camerista, professor de piano e canto-coral torna- se, na criação, um mestre admirável. Melodista dos mais felizes, a harmonia que emprega, por sua vez, revela domínio superior do métier, de perfeito bom gosto e resulta em sonoridades envolventes e sutis.
Fundador da Cadeira n° 3 da Academia Brasileira de Música, Fructuoso Vianna nasceu a 6 de setembro de 1896, em Itajubá, Minas Gerais, e morreu no Rio de Janeiro a 21 de outubro de 1976. Segundo a notícia biográfica da ABM, os seus primeiros contatos com o piano foram aos oito anos. Aos quinze sua vocação pianística já estava marcada. Já no Rio de Janeiro, entra para o estabelecimento que é hoje a Escola de Música da Universidade do Rio de Janeiro, onde estuda piano com Henrique Oswald, além dos cursos que faz de matérias teóricas e começa a compor.
Através do violoncelista Newton Pádua, dá-se, em 1919, seu primeiro contato com Villa- Lobos, que pouco mais tarde o leva, na companhia de Newton e do violinista Ronchini, a executar um dos seus Trios, para o pianista Arthur Rubinstein. A aproximação com Villa-Lobos determina que Fructuoso se tome um dos participantes da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, ao integrar conjuntos de Câmara com Paulina D'Ambrosio e Alfredo Gomes.
A partir de 1923, Fructuoso Vianna se aperfeiçoa na Europa com os mestres Arthur de Greef (antigo discípulo de Liszt), em Bruxelas e Blanche Selva, em Paris. Sua última apresentação, em público, deu-se em 1973, na Escola de Música da UFRJ, homenageado pelo Círculo de Arte Vera Janacópulos.
Em São Paulo, assumiu a cadeira de piano do Conservatório Dramático e Musical e se tornou regente do Coral Paulistano do Departamento de Cultura, onde foi companheiro de Guilherme de Almeida. Anos mais tarde, era indicado para a cadeira de Canto Coral da Escola Técnica Nacional. Em 1949, voltou a Belo Horizonte, também na qualidade de professor. E no Rio de Janeiro, seu labor no magistério foi igualmente intenso, quer ao piano, quer no preparo e na regência de coros.
A influência de Fructuoso Vianna sobre outros compositores nacionalistas é reconhecida pelos críticos especializados. Pianistas como Arnaldo Estrella, Cristina Ortiz, Miguel Proença, Roberto Szidon e Sônia Goulart, gravam sua música e a executam no exterior.

|