Capa da Brasiliana - N.6Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 6 - Setembro de 2000

Coordenação Editorial - Ricardo Tacuchian

Capa: Colagem de Hilton Berredo
Projeto Editorial e Edição: Heloisa Fischer
Diagramação
: Silvana Mattievich
Versões em Inglês: Paulo Henriques Brito
Revisão: Cristiane Dantas
Distribuição: Paulo Garcia
Tiragem: 1.000 exemplares


- Editorial, por Edino Krieger, presidente da Academia Brasileira de Música

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- A Música Polonesa dos Anos 60-70 e Sua Influência na Musica Brasileira
...
Marcos Lucas

- A Música de Sigismund Neukomm na Bibliotèque Nationale de France
... José Maria Neves

- Ricardo Tacuchian, Sistema-T e Pós-Modernidade
... Gustavo Soffiati

- Villa-Lobos e os 500 anos do Brasil
... Maria de Lourdes Sekeff

- Galeria dos interpretes da música brasileira: Mário Tavares e Arnaldo Estrella

- Educação Musical na escolas


Editorial

Reflexão, estudo e informação - o tripé conceitual da revista Brasiliana adquire a partir deste número um maior equilíbrio, com a ampliação do espaço dedicado à informação: além do registro de novos lançamentos editoriais de discos e livros e da Galeria dos Intérpretes da Música Brasileira, que hoje focaliza o regente Mário Tavares e o pianista Arnaldo Estrella, inclui materias jornalísticas sobreprojetos de educação musical e registro dos principais encontros e festivais de música brasileira deste ano 2000.

A revista dedicará ainda um novo espaço à programação de música brasileira prevista em cada quadrimestre, no Brasil e no exterior. Solicitamos aos nossos assinantes, aos Acadêmicos, aos compositores, intérpretes, produtores e programadores de eventos musicais que nos enviem, até 30 de novembro, informações sobre execuções de música brasileira previstas para o quadrimestre de janeiro a abril do próximo ano, para divulgação e registro na nossa edição de janeiro de 2001.

Nossos agradecimentos ao artista plástico Hilton Berredo, autor da bela capa deste número.

Edino Krieger

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A Música Polonesa dos Anos 60-70 e Sua Influência na Musica Brasileira
O artigo investiga fatores históricos que levaram ao surgimento da chamada 'escola polonesa' dos anos 60/70. Discute-se primeiramente o conceito de 'escola', tal qual aplicado a grupos de compositores com certa afinidade estilística. Aborda-se também algumas das características estéticas e técnicas da música polonesa dos anos 60/70 - em particular da música de Krzystof Penderecki, Witold Lutoslawski e Henryk Gorecki. Busca-se por fim traçar, através da análise de exemplos musicais, e da trajetória artística de alguns compositores brasileiros, elementos que evidenciem uma influência da música polonesa em sua produção musical.

Abstract
This article analyzes the historical factors that gave rise to the so-called "Polish School" of the 1960's and 70's. It begins with a discussion of the concept of "school" as applied to groups of composers with certain stylistic affinities. Also examined are some of the aesthetic and technical characteristics of Polish music of the 60's and 70's, particularly the works of Krzystof Penderecki, Witold Lutos³awski e Henryk Gorecki. Finally, an attempt is made to detect evidence of the influence of Polish music in the production of some Brazilian composers, by analyzing examples of their work and their musical careers.

Marcos Lucas
Marcos Lucas é compositor, educador musical e professor do Colégio Pedro II. Mestre em composição pela UFRJ onde defendeu a tese: Textura na música do século XX. PhD em Composição Musical pela University of Manchester (Inglaterra).

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A Música de Sigismund Neukomm na Bibliotèque Nationale de France
A Seção de Música (localizada na Rue de Louvois) da Biblioteca Nacional de França guarda, no acervo anteriormente pertencente à Biblioteca do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, uma grande coleção de manuscritos e de impressos novecentistas de obras de Sigismond Neukomm (1758-1858), que foi músico da casa do Príncipe Talleyrand e viveu no Rio de Janeiro entre 1816 e 1821. Guarda igualmente o Catálogo manuscrito copiado pelo irmão do compositor. Este conjunto permite visão de conjunto da enorme produção deste compositor (por volta de 1824 peças), que situa-se no exato ponto de transição do classicismo vienense (ele foi discípulo de Michael e de Joseph Haydn) para o romantismo germânico. Novo catálogo da obra se Neukomm, a ser divulgado brevemente, permitirá conhecer a localização (biblioteca ou arquivo) e a forma de preservação (manuscrito ou impresso) da obra do grande compositor.

Abstract
The Music Section of the Bibliothèque Nationale de France, at the rue de Louvois, houses a collection formerly belonging to the library of the Conservatoire National Supérieur de Musique that includes a large number of nineteenth-century manuscript and printed scores of works by Sigismund Neukomm (1778-1858), who was a musician in the household of Prince Talleyrand and lived in Rio de Janeiro from 1816 to 1821. Also in the Music Section is the manuscript Catalogue copied by the composer's brother. This collection provides a comprehensive view of Neukomm's copious production (about 1,824 pieces), placed at the exact moment of transition from Viennese Classicism (he was a disciple of Michael and Joseph Haydn) to German Romanticism. A new Neukomm catalogue, to be published soon, will give information on the localization (libraries and archives) and form of preservation (manuscript or publication) of the works by this major composer.

José Maria Neves
José Maria Neves nasceu em São João del-Rei (MG) em 1943. Iniciou seus estudos musicais no Conservatório de Música de sua cidade natal. Foi aluno de C. Guerra-Peixe e Esther Scliar no Seminário de Música Pró-Arte do Rio de Janeiro. Estudou música eletro-acústica no Grupo de Pesquisas Musicais (GRM) da antiga OFRT (então dirigido por Pierre Schaeffer). Concluiu o Mestrado (1971) e o Doutorado (1976) em Musicologia na Universidade de Paris-Sorbonne, e Pós-Doutorado no Instituto de Estudos Latino-Americanos (ILAS) da Universidade do Texas em Austin (1994-1995) e no Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa (1999-2000), onde atuou também como professor visitante. É Professor Titular Emérito da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO) e Professor Titular do Conservatório Brasileiro de Música. Desde 1977, é Regente da Orquestra Ribeiro Bastos de São João del-Rei. É autor de obra musicológica bastante vasta. É membro titular da Academia Brasileira de Música.

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Ricardo Tacuchian, Sistema-T e Pós-Modernidade
Nos últimos dez anos, boa parte da obra de Ricardo Tacuchian foi escrita em cima de um conceito T . Na realidade, trata-se de um sistema de controle de alturas. Segundo o compositor, esta técnica atende aos preceitos da pós-modernidade . Estes dois temas, Sistema-T e Pós-Modernidade, vêm sendo a preocupação do maestro, em inúmeros textos e apresentações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Esta entrevista, concedida pelo maestro Ricardo Tacuchian em janeiro de 1999, procura aclarar suas idéias sobre os dois conceitos.

Abstract
Over the past ten years, much of Tacuchian's work has been written on the basis of the "T Concept," a system for controlling pitch. According to the composer, this is a technique attuned to the tenets of postmodernity. These two subjects the T System and postmodernity have been explored by Tacuchian in a number of texts and performances in Brazil, the U.S. and Europe. In this interview, given in January 1999, Ricardo Tacuchian clarifies his thoughts on the two concepts.

Gustavo Landim Soffiati
Gustavo Landim Soffiati é graduado em História pela Faculdade de Filosofia de Campos e cursa o Mestrado em Ciências Políticas Sociais na Universidade Estadual do Norte Fluminense. Desenvolve atividades profissionais como jornalista e sonoplasta, tendo recebido alguns prêmios nesta especialidade.

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Villa-Lobos e os 500 anos do Brasil
O artigo, uma homenagem a Villa-Lobos nos 500 anos do Brasil, traça um paralelo de sua prática composicional com a desenvolvida no universo da pintura. Aborda Villa do pós-romantismo (impressionismo) ao universalismo (abstracionismo), passando pelo nacionalismo (fovismo) e neo-classicismo (classicismo), ressaltando que a despeito desse painel, Villa-Lobos sempre foi um pouco de tudo todo o tempo.

Abstract
This article, a tribute to Villa-Lobos on the occasion of Brazil's 500th anniversary, establishes a parallel between his practices as a composer and those of painters. It analyzes Villa-Lobos's work from Post-Romanticism (Impressionism) through nationalism (Fauvism) and Neo-Classicism (Classicism) to universalism (abstractionism), emphasizing the fact that, through all these changes, he remained always a bit of everything at the same time.

Maria de Lourdes Sekeff
Maria de Lourdes Sekeff é livre-docente em Piano (UFRJ) e professora-titular da UNESP. Tem também formação em Filosofia (UFRJ) e Pós-Graduação em Comunicação/Semiótica (PUC/SP). Foi bolsista do CNPq, produzindo monografias e livro. É autora de Curso e Discurso do Sistema Musical (São Paulo, Annablume, 1996), Recursos Terapêuticos da Música, (São Paulo, Unesp, 1985) e mais de 50 artigos publicados em revistas especializadas. Prêmio APCA em 1986, é desde 1999 crítico musical daquela associação. Escreveu durante três anos sobre música no jornal O Estado de S.Paulo e atualmente escreve no Jornal UNESP. Ministrou cursos de Música e Pintura, História da Música e Psicologia da Música, durante cinco anos no MASP, convidada pelo seu então diretor, prof. Pietro Maria Bardi. Criadora e diretora do Movimento Ritmo e Som da UNESP.


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