Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 27 - Setembro de 2008
Editor - Ricardo Tacuchian
Conselho editorial - Edino Krieger, Luiz Paulo Horta,
Mercedes Reis Pequeno, Regis Duprat e Vasco Mariz
Assessora Técnica - Valéria Peixoto
Capa: Cena de Família de Adolfo Augusto Pinto (1891) , de Almeida Júnior
Projeto Gráfico e Produção Gráfica: FA Editoração
Versões em Inglês: Gisele Fortes
Revisão: Regina Laginestra
Tiragem: 500 exemplares


- Editorial

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- Nova música erudita brasileira: pós-modernismos, modismos, neoclassicismos, oportunismos e outros ismos  
Jorge Antunes

- Entrevista com o compositor Ronaldo Miranda
Gerson Valle

- Joaquim Manoel, improvisador de modinhas
Marcelo Fagerlande

- Alceo Bocchino aos 90 anos
Vasco Mariz


Livro - Resenha

- A Vocação musical de uma cidade
Vasco Mariz (Resenha de Luiz Paulo Horta)

CD - Resenha

- Te Deum & Requem - Padre José Maurício Nunes Garcia
Maestro Ernani Aguiar (Resenha de Ricardo Tacuchian)


Novos Lançamentos

CDs

- Guerra-Peixe / Aguiar - Série Música Brasileira, volume 7
Composições de Guerra-Peixe e Ernani Aguiar

- José Guerra Vicente - Obras para orquestra de cordas
Composições de José Guerra Vicente

- Eletro Acústicas
Composições de Rodrigo Cicchelli Velloso

- Camerata Florianópolis - Edino Krieger
Composições de Edino Krieger

- Edino Krieger - Orquestra de Câmara Villa-Lobos
Composições de Edino Krieger

- Série IBEU - Quarteto com piano - 6º e 7º Concurso Nacional de Música IBEU
Gravação ao vivo das obras finalistas.

- Música Brasileira do Império - Visconde de Taunay
Composições para piano do Visconde Taunay, interpretadas por Sylvia Maltese.

- Quinteto de Sopros Brasileiros 1926-1974
Seleção da música brasileira do período abrangeu treze compositores  brasileiros do século XX, dentre eles Villa-Lobos, Edino Krieger e Radamés Gnattali.

- Sérgio Monteiro Interpreta Heitor Villa-Lobos: A Prole do Bebê I e II
S
ergio  Monteiro interpreta as duas obras revolucionárias de Villa-Lobos.

Livros

- A Música na corte de D. João VI
Autoria do musicólogo André Cardoso

- José Guerra Vicente: O Compositor e sua obra
Organizado pela pesquisadora Elizete Higino

- Música e Músicos do Pará (2ª edição - 2007)
Autoria do musicólogo Vicente Salles


Notícias

- Olhando para frente e para trás - Comemoração dos 90 anos, 80 anos e 60 anos dos Acadêmicos Alceo Bocchino, Edino Krieger e Ronaldo Miranda, na Academia Brasileira de Música.

 - Membro Correspondente da ABM Dr. Robert Stevenson é eleito Membro Honorário da Sociedade Internacional de Musicologia.

 - Posse de Luiz Paulo Horta na Academia Brasileira de Letras.


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Editorial

200 Anos e outras datas redondas

O presente número de Brasiliana comemora as datas redondas de aniversário de três ilustres acadêmicos e compositores: Alceo Bocchino (90 anos), Edino Krieger (80 anos) e Ronaldo Miranda (60 anos). Este último responde a uma inteligente entrevista conduzida por Gerson Valle.

Marcelo Fagerlande, aproveitando as comemorações dos 200 anos da chegada da Família Real ao Rio de Janeiro, nos fala do notável modinheiro e guitarrista Joaquim Manoel que tanto impressionou Neukomm, no início do século XIX, no Rio de Janeiro.

Jorge Antunes assina um ensaio onde expõe pontos de vista muito pessoais sobre a nova música erudita brasileira. Suas idéias, polêmicas e instigantes, sempre geram momentos de reflexão e controvérsia.

O Editor

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Nova música erudita brasileira: pós-modernismos, modismos, neoclassicismos, oportunismos e outros ismos

O professor, pesquisador, doutor em estética musical e compositor Jorge Antunes faz uma reavaliação dos significados dos conceitos multifacetados de pós-modernismo e vanguarda. Antunes traz seu depoimento e auto-avaliação como importante base para futuros estudos musicológicos. O compositor resume sua história em cinco fases: o jovem estudante sob a influência villalobiana, as experiências eletrônicas pioneiras, a linguagem eletroacústica mesclando a canção e a melodia, a música experimentalista radical na Europa, o ecletismo da obra catástrofe ultra-violeta usando a justaposição de linguagens e convicção político-ecológica a partir dos anos 80, que o levou à utilização de centros tonais.

New brazilian classical music: postmodernisms, trends, neoclassicisms, opportunisms and other isms

Professor, researcher, doctor in musical aesthetics and composer Jorge Antunes makes a reassessment of the meanings of the multi-faceted concepts of postmodernism and avant-garde. Antunes turns his testimony and self-evaluation into an important basis for further musicological studies. The composer summarizes his background in five phases: the young student under Villa-Lobos influence, the pioneer electronic experiences, the electroacoustic language mixing song and melody, the radically experimentalist music in Europe, the eclecticism of the ultraviolet catastrophe piece using the languages juxtaposition, as well as the political-ecological conviction which starting in the 80s prompted him to use tonal centers.

Jorge Antunes

Doutor em Estética Musical pela Sorbonne, Université de Paris VIII (1977); Professor Titular do Departamento de Música da Universidade de Brasília; Pesquisador do CNPq; Membro efetivo da Academia Brasileira de Música e Presidente da Sociedade Brasileira de Música Eletroacústica.

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Entrevista com o compositor Ronaldo Miranda

Por Gerson Valle

Ronaldo Coutinho Miranda (1948) é carioca e estudou na Escola Nacional de Música (piano com Dulce de Sales e composição com Henrique Morelenbaum), continuando seu percurso universitário não só com mestrado (UFRJ) e doutorado (USP) como no magistério no Rio e São Paulo. Sua composição (que se intensificou a partir de 1977) tem motivado prêmios importantes e encomendas de conhecidas instituições, tanto no Brasil como no exterior. Além de professor, ocupou cargos administrativos de destaque no mundo musical sempre contribuindo e vivenciando, sob diversos aspectos, a Música de nosso tempo. Tal vivência, inclusive, abrangeu a condição de crítico musical do “Jornal do Brasil” no inicio de sua carreira, e a de diretor por nove anos da importante Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

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Joaquim Manoel, improvisador de modinhas

Joaquim Manoel, um nome importante, mas pouco conhecido na história da modinha brasileira, foi redescoberto no século XX, graças à localização da coleção de 20 modinhas de sua autoria, fruto de um trabalho conjunto dos pesquisadores Mozart de Araújo e Luiz Heitor Correa de Azevedo, que garimparam na Biblioteca do Conservatório de Paris a produção de Neukomm no Brasil. Ainda com muitas lacunas e questões sem respostas, a vida e obra de Joaquim Manuel, o "modinheiro brasileiro", foi sendo costurada a partir de indícios espalhados em vários lugares e em diversos tipos de documentos. O sucesso deste célebre mulato, grande tocador de viola e cavaquinho e improvisador de modinhas foi registrado em documentos históricos encontrados em Portugal, como, por exemplo, o relato de um recital onde o famoso poeta Bocage viu-se preterido por Joaquim Manoel, que atraía todas as atenções ao exibir sua criatividade musical.

Joaquim Manoel, the improviser of modinhas song genre

Although an important name, Joaquim Manoel is little known in the history of Brazilian modinhas. He was rediscovered in the 20th century thanks to the finding of a 20-modinha song collection of his authorship. That was the fruit of a collaborative work between researchers Mozart de Araújo and Luiz Heitor Correa de Azevedo, who toiled in the Paris Conservatory Library in search of Neukomm’s production in Brazil. Despite the several unfilled blanks and unanswered questions, the life and the work of Joaquim Manuel, known as “the Brazilian modinha writer”, has been sewn from evidences spread in several places and in various kinds of documents. The success achieved by that renowned Brazilian man, who not only was a great viola and cavaquinho player but also an improviser of modinhas song genre, was recorded in historical documents found in Portugal, such as, for example, an account on a recital where the famous poet Bocage found himself outshone by Joaquim Manoel, who drew all the attention as he showed his musical creativity.

 Marcelo Fagerlande

Natural do Rio de Janeiro, teve sua formação musical na Alemanha, no Brasil e na França. É graduado em cravo com grau máximo pela Staatliche Hochschule für Musik Stuttgart, na classe de Kenneth Gilbert (1986), Doutor em Musicologia pela Uni-Rio (2002) e pós-doutor no Institut de recherche sur le patrimoine musical en France, Paris (IRPMF/CNRS) em 2004/2005. Realizou concertos por todo o Brasil e nos Estados Unidos, México, Alemanha, França, Portugal, Espanha, Hungria e Uruguai. Foi o diretor musical e regente ao cravo de óperas de Monteverdi (Orfeu) Telemann (Pimpinone) e Boismortier (Dom Quixote e a Duquesa), no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na Sala Cecília Meireles, no Teatro Amazonas, e no CCBB Rio de Janeiro. Concebeu e dirigiu os musicais Barroco! e O Último Dia, sobre José Maurício Nunes Garcia, apresentados nos CCBBs Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Gravou diversos CDs no Brasil e na Alemanha, destacando-se Marcelo Fagerlande no Museu Imperial, Bach e Pixinguinha (Núcleo Contemporâneo) e Modinhas Cariocas (Biscoito Fino). Publicou O Método de Pianoforte de José Maurício (Relume-Dumará). É professor da Escola de Música da UFRJ desde 1995, sendo responsável pelas classes de cravo (graduação e pós-graduação) e baixo contínuo. Home: www.marcelofagerlande.com.br

 

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Alceo Bocchino aos 90 Anos

Por Vasco Mariz

Alceo Bocchino é um festejado compositor, regente, pianista e professor, que já há muitos anos assegurou seu lugar permanente na história da música brasileira. Seu nome está associado à história da música em Curitiba, de seu belo teatro Guaíra - um dos mais modernos teatros do Brasil - e à Orquestra Sinfônica do Paraná, com a qual dirigiu por longos anos concertos memoráveis.

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