  Revista Brasiliana
Número 23 - Maio de 2006
Editor - Ricardo Tacuchian
Capa: O Violoncelista, de Carlos Oswald.
Acervo do MNBA
Projeto Gráfico e Edição Gráfica: FA Editoração
Versões em Inglês: Gisele Fortes
Revisão: Regina Marques
Tiragem: 1.000 exemplares
- Editorial
Resumo dos artigos (em português e inglês) e
perfil dos autores
- O Piano na Obra de Gilberto Mendes
... Antonio Eduardo Santos
- O Álbum "Música nas Escolas Brasileiras e
Outras Gravações de 1940-1944
... Flavio Silva e Carlos Alberto Figueiredo
("Uma Abordagem Artística do Canto Orfeônico")
- O Centenário de Luiz
Heitor Corrêa de Azevedo
... Vasco Mariz
- Notícias
- Inauguração da nova sede do Centro de Referência Musicológica José Maria - Neves
- Posse de Guilherme Bauer
- Edino Krieger em novos CDs e no Festival de Campos de Jordão
- Membros Correspondentes da Academia Brasileira de Música
David Appleby aos 80 anos
- Atividades dos Acadêmicos
- Ernani Aguiar
- Roberto Duarte
- Livro - Resenha
A modinha no Grão-Pará
- CD - Resenha
A obra de Krieger para o teclado: um belo retrato sonoro

Editorial
Villa-Lobos pontificou no comando da política de
educação musical da juventude
brasileira, nos últimos anos da Era Vargas. Vários trabalhos já analisaram e discutiram
os objetivos e as metodologias do projeto villa-lobiano do Canto Orfeônico. Entretanto, o
musicólogo Flávio Silva, pela primeira vez, focaliza a estratégia usada por Villa-Lobos
de explorar o potencial da gravação de música para as escolas brasileiras, feita a
partir de 1940. Os quatro álbuns de discos de 78rpm, aqui comentados, representam o que
Flávio Silva qualifica de "o único
testemunho sonoro, até agora conhecido de prática do canto orfeônico". Carlos
Alberto Figueiredo, musicólogo e regente coral, faz uma avaliação pertinente dessas
gravações cujo repertório foi considerado, na época, "heróico".
Antonio Eduardo é um pianista dedicado à difusão da música brasileira, especialmente a
de Gilberto Mendes, membro honorário da ABM.
Sobre esse assunto Antonio Eduardo publicou o livro "O Antropofagismo na obra
pianística de Gilberto Mendes". O artigo aqui apresentado é, de certa
forma, uma síntese do livro. Além dos artigos de fundo, as diversas seções
de Brasiliana procuram registrar as principais atividades de nossos ilustres acadêmicos.
Aproveitamos para cumprimentar os acadêmicos Raul do Valle, pelos 70 anos que está
comemorando em 2006, e Guilherme Bauer, que acaba
de tomar posse na ABM (cadeira 17, Alfredo dEscragnolle Taunay).
Mais uma vez agradecemos ao Museu Nacional de Belas Artes pela autorização da
reprodução do quadro "O Violoncelista" de Carlos Oswald (Florença, 1882 -
Petrópolis, 1971).
O Editor

O Piano na Obra de Gilberto Mendes
Levantamento e análise da produção para piano de Gilberto
Mendes, ao lado de reflexões críticas, particularmente em relação ao seu espírito
inovador e transformador. Sob tal enfoque, e considerando a influência da música de
cinema e rádio, dos Movimentos Concretista e Música Nova, entre outras, assimiladas
antropofagicamente por Gilberto Mendes e transformadas de maneira particular em sons,
procede-se à divisão dessa sua obra em três grande fases: Fase de Formação
(1945-1959); Fase do Experimentalismo (1960-1982); Fase de Transformação (de 1982 em
diante). Mergulha-se assim nas reflexões estéticas, no fazer artístico e no resgate da
música desse compositor, cuja obra reclama
análise e estudo.
The Piano in Gilberto Mendess Work
A survey, an analysis and critical reflexions of the production for the piano by
Gilberto Mendes, particularly regarding his innovative and changeseeking spirit. In this
perspective and taking into consideration the influence that movie and radio music, as
well as the Concrete and New Music Movements had on Gilberto Mendes - who absorbed them
anthropophagically and also
turned them into sounds in a unique way - we can go along to a better understanding of his
work in three great moments: the Phase of Formation (1945 - 1959); the Phase of
Experimentalism (1960 - 1982) and the Phase of Trans-Formation (from 1982 on). We then
plunge into the aesthetic considerations about his artistic doing and the retrieval of the
music by this composer whose art claims for analysis and careful studying.
Antonio Eduardo Santos
Doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC/SP, com a tese "Os descaminhos
do Festival Música Nova", e mestre em Artes pelo IA/UNESP, ambos com Bolsa FAPESP.
Escreveu "O Antropofagismo na obra pianística de Gilberto Mendes"
(AnnaBlume/FAPESP), além de diversos artigos para periódicos do Brasil e exterior, sobre
música contemporânea brasileira. Desenvolve, como pianista e pesquisador, carreira
internacional, sempre enfatizando a obra contemporânea brasileira. Coordena coleção de
obras de música contemporânea para piano junto a New Consonant Music, de Bruxelas, tendo
já em seu catálogo obras de Gilberto Mendes, Silvia Berg, Sergio Vasconcelos e Rodolfo
Coelho de Souza.

O Álbum "Música nas Escolas
Brasileiras e Outras Gravações de 1940-1944
Apresentação de séries de discos em 78rpm, gravados industrialmente pela
Prefeitura do Distrito Federal de 1940 a (talvez) 1944, cuja existência é praticamente
ignorada. Especial atenção é dada aos discos do primeiro álbum, que contêm
gravações de coros escolares feitas a partir de princípios e práticas definidas por H.
Villa-Lobos. Pode-se dizer que essas gravações constituem o único testemunho sonoro,
até agora conhecido, da prática do canto orfeônico em escolas do Rio de Janeiro.
The Album "Music in Brazilian Schools" and Other
Recordings from 1940 to 1944
A presentation of some series of 78 rpm records which were manufactured by the Distrito
Federal City Hall from 1940 to around 1944 and whose existence has been nearly ignored.
Special attention is drawn to the records of the first album as they contain recordings of
school choirs which had performed in accordance to the principles and practices defined by
H. Villa-Lobos. It is said that these recordings represent the only so far known sonorous
testimony of the practice of orpheonic singing at schools of Rio de Janeiro.
Flavio Silva
Autor de artigos sobre música e organizador do livro "Camargo Guarnieri: o
tempo e a música". Com bolsa da Fundação Vitae, fez pesquisa sobre a vida musical
centrada nos anos 1930 a 1945, sobretudo no Rio de Janeiro, aproveitada em monografia
premiada com segundo lugar em concurso promovido pela Academia Brasileira de Música. Sua
dissertação de mestrado versa sobre origens do samba urbano carioca.
Carlos Alberto Figueiredo
Professor da UNIRIO e dos Seminários de Música Pro-Arte. Foi coordenador editorial do
Projeto Restauração e Difusão de Partituras, que editou obras do Museu da Música de
Mariana. É doutor em Musicologia pela UNIRIO, com pesquisa voltada para a difusão
documental de obras de José Maurício Nunes
Garcia. Dirige o Coro de Câmera Pro-Arte.

O Centenário de Luiz Heitor Corrêa
de Azevedo
No centenário de nascimento de Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, sua
trajetória é relembrada, desde seus primeiros anos à frente da Biblioteca do então
Instituto Nacional de Música, como editor da Revista Brasileira de Música e como
criador da cadeira de Folclore Musical Nacional, naquele estabelecimento de ensino.
Posteriormente Luiz Heitor viaja para os EUA onde, na OEA e na Biblioteca do Congresso,
tem contato com Charles Seeger. Mas o momento culminante da carreira do autor de 150 anos
de música no Brasil é a sua nomeação para dirigir os programas de música da UNESCO,
em Paris. Vasco Mariz conheceu pessoalmente Luiz Heitor, que foi um dos fundadores da
Academia Brasileira de Música, e cita algumas reminiscências de seus encontros
com o ilustre musicólogo brasileiro.
Luiz Heitor Corrêa de Azevedo Centennial
In the year we celebrate Luiz Heitor Corrêa de Azevedo centennial, his career trajectory
is recollected since the first years he was in charge of the Library of the then-called
National Institute of Music, as the editor of the Brazilian Magazine of Music and as the
developer of the subject National Musical Folklore taken in that educational institute.
Luiz Heitor travels to the United States where he meets Charles Seeger, with whom he would
later keep in touch at OAS and at the Library of the Congress. However, the topmost moment
of the career of the author of 150 years of Music in Brazil was his nomination
to run the UNESCO programme of Music in Paris. As Vasco Mariz met Luiz Heitor personally,
he now recalls some reminiscences of his meetings with the outstanding Brazilian
musicologist, who also was one of the founders of the Brazilian Academy of Music.
Vasco Mariz
Vasco Mariz é embaixador aposentado, musicólogo e historiador, ex-presidente da
Academia Brasileira de Música e autor de História da Música no Brasil, A Canção de
Câmara no Brasil, A Canção Popular Brasileira, Dicionário Biográfico Musical,
Cláudio Santoro, Tres Musicólogos Brasileiros, Francisco Mignone, o homem e a obra, Vida
Musical (3 series), etc.

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