Capa da Brasiliana - Nº19Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 19 - Janeiro de 2005

Coordenação Editorial - Ricardo Tacuchian

Capa: "Baile à Fantasia", óleo sobre tela de Rodolfo Chambelland
Produção: Andréa Fraga D'Egmont
Projeto Editorial e Edição: Heloisa Fischer
Editoração
: Cacau Mendes
Versões em Inglês: Eneida Vieira Santos
Revisão: Karine Fajardo
Tiragem: 1.000 exemplares


- Editorial, por Edino Krieger, presidente da Academia Brasileira de Música

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- Linguagem musical e criação
...
Régis Duprat

- Aspectos técnico-pianísticos da Prole do Bebê nº2 de H. Villa-Lobos
... Miriam Bastos

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Editorial

A Academia Brasileira de Música comemora este ano os 60 anos de sua fundação. Em assembléia realizada no Club Ginástico Português, no Rio, no dia 14 de julho de 1945, eram aprovados os primeiros estatutos, elaborados por uma comissão integrada por Villa-Lobos, Fructuoso Vianna, J. Otaviano, Jaime Ovalle e Iberê de Lemos, e tomava posse a primeira diretoria, formada por Villa-Lobos (presidente); Andrade Muricy, (secretário geral); Luiz Heitor (1º. secretário); Iberê de Lemos (2º. Secretário) e Lorenzo Fernândez (tesoureiro). Através de uma carta assinada pelo professor Francisco Chiafiteli, o título de Academia Brasileira de Música, anteriormente registrado pela professora Camila da Conceição, foi transferido oficialmente para a nova agremiação que acabava de ser fundada.

Assinaram a Ata de Fundação personalidades do meio musical brasileiro residentes no Rio e em São Paulo. Do Rio, Assis Republicano, Miranda Neto, Sá Pereira, Iberê de Lemos, Ayres de Andrade, Brasilio Itiberê, Cláudio Santoro, Eleazar de Carvalho, Eurico Nogueira França, Florêncio de Almeida Lima, Fructuoso Vianna, Villa-Lobos, Jaime Ovalle, João Itiberê da Cunha, J.Otaviano, Andrade Muricy, José Siqueira, Paulo Silva, Luiz Heitor, Luiz Cosme, Newton Pádua, Otávio Bevilacqua, Lorenzo Fernândez, Radamés Gnattali, Renato Almeida, Rodolfo Rosetti e Frei Pedro Sinzig. De São Paulo, pessoalmente ou por procuração, Artur Pereira, Felix Otero, Francisco Casabona, Fúrio Franceschini, João Batista Julião, Caldeira Filho, João Gomes Jr., Souza Lima, Martin Braunwieser, Camargo Guarnieri, Oneida Alvarenga, Paulo Florence, Samuel Archanjo e Savino de Benedictis.

Em seus primeiros 40 anos de atividades, a Academia Brasileira de Música reunia-se em espaços alternativos, entre os quais a ABI. A partir da gestão da diretoria presidida por Ricardo Tacuchian, a ABM instalou-se na sede do Pen Club, na Praia do Flamengo, e em 2003, com recursos exclusivos dos direitos autorais de Villa-Lobos, de quem é herdeira, adquiriu sua primeira sede própria.
Como parte das comemorações dos seus 60 anos, a ABM promoverá um concerto comemorativo na Sala Cecília Meireles no próprio dia 14 de julho, e a abertura oficial de todos os espaços ainda em reforma de sua sede, incluindo Auditório, Biblioteca, Sala de acervos e de pesquisa. além da Série Brasiliana de concertos, da edição da revista e do lançamento de catálogos, livros e CDs.
Com isso, a ABM de hoje presta o seu tributo e a sua homenagem a todos aqueles pioneiros, que, liderados por Villa-Lobos, escreveram, há 60 anos, uma página importante na história musical do Brasil.

Neste primeiro número de 2005, editado em pleno Carnaval, expressamos os nossos agradecimentos ao Museu Nacional de Belas Artes pela autorização para reproduzirmos em nossa capa a belíssima tela Baile a Fantasia, de Rodolfo Chambelland, pertencente ao acervo da instituição.

Edino Krieger
Presidente

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Linguagem musical e criação
O presente artigo enfoca o tema, que é também o da correspondência das artes, à luz de reflexões sobre a inter e intratextualidade e a produção de sentido diante das teorias da significação, e as questões da longa duração na trajetória das músicas ocidentais; o problema das paixões e dos "ethos", as potencialidades das análises ante os desafios das músicas contemporâneas e a vocação ontológica das poéticas; o modernismo e a pós modernidade, valorizando o paradigma hermenêutico que contrapõe o mundo como interpretação à interpretação apofântica dos discursos.

Musical Language and Creation
This article focuses on this subject, which also broaches the correspondence of the arts, in the light of reflections on inter- and intratextuality and the production of meaning in view of the theories of signification, and the issues regarding the lengthy duration in the trajectory of western music, the issue of the passions and "ethos", the potential for analysis in view of the challenges of contemporary music and the ontological vocation of the poetic music, modernism and post-modernity, appreciating the hermeneutic paradigm that compares the world as interpretation to the apophantic interpretation of the discourse.

Régis Duprat
É musicólogo e historiador. Violista e quartetista, integrou vários conjuntos de câmara e sinfônicos, estudou harmonia, contraponto, composição e análise com G. O. Toni e Claudio Santoro. Formado em História pela Universidade de São Paulo, cursou o Instituto de Musicologia e o Conservatório de Paris. Doutorou-se em Musicologia, em 1966, pela Universidade de Brasília, onde lecionou vários anos. É professor titular de Estética e História da Música Brasileira da USP/ECA. Dentre outras pesquisas, localizou e catalogou as obras de André da Silva Gomes (1752-1844), mestre-de-capela da Sé de São Paulo no período colonial, editando e gravando grande número delas. É coordenador do Projeto de organização, catalogação e divulgação do acervo de manuscritos musicais do Museu da Inconfidência de Ouro Preto, que publicou nove fascículos, catálogos, livros de partituras e registros fonográficos divulgando esse Projeto. Publicou mais de 100 trabalhos, dentre os quais 15 livros, e cerca de duzentas transcrições musicológicas de partituras do Brasil colonial e imperial. Produziu 18 discos, inclusive sobre a música popular brasileira do século dezenove. É membro da Academia Brasileira de Música, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, e sócio benemérito da Sociedade Brasileira de Musicologia. .

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Aspectos técnico-pianísticos da Prole do Bebê nº2 de H. Villa-Lobos
O presente estudo pretende abordar a obra Prole do Bebê nº 2 para piano solo de Heitor Villa-Lobos, sob os aspectos da técnica e da linguagem pianística do compositor, discutindo e/ou sugerindo possibilidades interpretativas. A obra é contextualizada no panorama da música do primeiro quarto do século XX e na produção do compositor na década de 1920. Para um entendimento preciso da Prole do Bebê nº2, foi realizada uma análise genérica da obra, em que foram levantados aspectos melódicos, rítmicos, harmônicos, de textura e forma, e de exploração do instrumento. No decorrer dessa análise, foram traçadas comparações com obras de compositores contemporâneos de Villa-Lobos como Stravinsky, Bartók e Prokofieff.

The Technical Pianistic Aspects of Prole do Bebê nº2 by H. Villa-Lobos
The present study pretends broach Villa-Lobo's piano work Prole do Bebê nº2 focusing on the pianistic language of the composer, while also discussing and suggesting possibilities of performance. The work is placed in the scene of the first quarter of the twentieth-century and in the composer's prolific output of the 1920's. For a thorough understading of the work, it is analysed through its melodic features, rhythms, harmony, texture, structural forms, and the exploration of pianistic resources. In the course of this analysis several features of Prole do Bebê nº2 are compared with works of Villa-Lobos' contemporary composers such as Stravinsky, Bartók and Prokofieff.

Miriam Bastos
Mestre em Música Brasileira pela UNIRIO, é graduada em Piano pela Escola de Música da UFMG, Professora da Escola de Música da UEMG e Diretora artística da série de concertos "Projeto Segunda Musical" no Teatro da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

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