Capa da Brasiliana - Nº16Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 16 - Janeiro de 2004

Coordenação Editorial - Ricardo Tacuchian

Capa: "Coro", c. 1945, pintura a óleo s/ tela, 48,5 x 37,5cm
Produção: Andréa Fraga D'Egmont
Projeto Editorial e Edição: Heloisa Fischer
Editoração
: Hybris Design
Versões em Inglês: Laura Rónai
Revisão: Karine Fajardo
Distribuição: Paulo Garcia
Fotolitos: Mergulhar
Tiragem: 1.000 exemplares


- Editorial, por Edino Krieger, presidente da Academia Brasileira de Música

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- A alma musical brasileira
...
Maria de Lourdes Sekeff

- "Um Outro Gesto Musical" na obra de Gilberto Mendes
... Antonio Eduardo Santos

- Saudação a John Neschling em sua posse na ABM
... Jocy de Oliveira

- Gama Malcher e a Língua Nacional
... Vicente Salles

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Editorial

Ano novo, vida nova. A Academia Brasileira de Música inicia neste começo de ano um novo ciclo em sua vida institucional, com a eleição e a posse de uma nova diretoria, eleita para o biênio 2004/2005. Diretoria nova, entretanto integrada por diversos membros da anterior, por decisão consensual dos próprios Acadêmicos.
Como tarefa imediata e prioritária, a nova diretoria assume a responsabilidade de promover a conclusão das obras da nova sede, iniciada na gestão anterior. Para tanto, contatos já foram iniciados no sentido de se obterem os recursos necessários à realização plena do projeto arquitetônico já aprovado e apresentado aos leitores em nosso último número. Outras tarefas serão a ampliação das edições fonográficas do selo ABM Digital e de livros da série ABM Editorial, incluindo uma coleção de catálogos de compositores brasileiros; a realização dos Concursos Nacionais José Maria Neves de Monografias e Cláudio Santoro de Composição para Orquestra, este último em parceria com a Orquestra Petrobrás Pró-Música; a programação da Série Brasiliana de concertos e da Série Trajetórias de depoimentos; a atualização continuada da Bibliografia Musical Brasileira e certamente outros projetos a serem definidos.
No plano internacional, a ABM está promovendo contatos com os organizadores da programação a ser dedicada à música brasileira na França, em 2005, colocando-se à sua disposição para oferecer sugestões e apoio, propugnando para que a criação musical brasileira possa fazer-se representar, nesse macro evento, em sua multiplicidade de vertentes e de valores.
Finalmente, a bela capa deste número constitui uma homenagem a esse mestre maior da pintura brasileira que é Portinari, cujo centenário de nascimento comemorou-se recentemente, reproduzindo, com a autorização especial de seu filho João Candido, seu belíssimo quadro intitulado Coro, um óleo sobre tela de 1945, ano em que Villa-Lobos fundava a nossa Academia.

Edino Krieger
Presidente

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A alma musical brasileira
Das origens cabralinas ao pós-modernismo, um longo caminho seria percorrido no sentido da formação e afirmação da música brasileira. Recortando elementos formadores de uma história que serviu de território à construção de nossa identidade musical, acabamos por mergulhar na presente pesquisa, sempre tendo como eixo condutor a alma musical brasileira.

The Brazilian musical soul
In traveling from the its roots in the time of Pedro Álvares Cabral to post-modernism, the creation and affirmation of Brazilian music has made a long journey. First reviewing the formative elements shaping a history that laid the basis for the construction of our musical identity, we end up by taking a plunge into current research, with the Brazilian soul always serving as our guide.

Maria de Lourdes Sekeff
É professora-titular da Unesp. Autora dos livros Da Música, seus Usos e Recursos (S.P: Ed.Unesp, 2003) e Curso e dis-curso do Sistema Musical (S.P.: Annablume, 1996). É diretora do Movimento Nacional Ritmo e Som da Unesp e membro da Associação Paulista dos Críticos de Arte.

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"Um Outro Gesto Musical" na obra de Gilberto Mendes
O artigo desenvolve questões do teatro musical contemporâneo, bem como suas características de realização, detendo-se na produção do compositor santista Gilberto Mendes, membro honorário da Academia Brasileira de Música. A plurisensorialidade de Mendes é destacada, bem como seus princípios composicionais. O autor detém-se especialmente sobre a obra "Ópera Aberta", para halterofilista e soprano.

Another musical gesture in the work of Gilberto Mendes
The article deals with contemporary Brazilian musical theater, as well as how it is produced, with particular emphasis given to the works of the Santos-born composer, Gilberto Mendes, an honorary member of the Brazilian Academy of Music. Attention is drawn to the plurisensoriality of Mendes, as well as his compositional principles. The author discusses mainly the work " Ópera Aberta", for body-builder and soprano.

Antonio Eduardo Santos
É doutor pela PUC/SP, em Comunicação e Semiótica. Mestre em Artes pela Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho som dissertação sobre a obra pianística de Gilberto Mendes, " O Antropofagismo na Obra Pianística de Gilberto Mendes,(Annablume/FAPESP). Como pianista vem se apresentando regularmente na Bélgica, Dinamarca e França destacando em seus programas a música contemporânea brasileira. Gravou o CD "VELE GROETJES et Até logo", com obras para piano de Gilberto Mendes, Sérgio Vasconcelos Correa e Boudweijn Buckinx.

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Saudação a John Neschling em sua posse na ABM
Elogio acadêmico proferido por Jocy de Oliveira na posse de John Neschling na cadeira Nº 12, em 9 de Setembro de 2003. O dia marcou também a inauguração da sede da Academia Brasileira de Música, cujo processo de aquisição iniciou-se justo na gestão de José Maria Neves, ocupante anterior daquela cadeira. A saudação traça paralelos entre o gênio transgressor de Villa-Lobos, o papel institucional da Academia Brasileira de Música e o perfil do novo acadêmico.

A salute to John Neshling on the occasion of his taking office at the ABM (Brazilian Academy of Music)
Academic eulogy proffered by Jocy de Oliveira when John Neschling took office of chair Nº12, in Setember 9, 2003. That day was also crowned by the inauguration of the headquarters of the Brazilian Academy of Music, which started to be acquired precisely during the administration of José Maria Neves, who was the former occupant of that chair. The eulogy traces parallels between the transgressive genius of Villa-Lobos, the institutional role of the Brazilian Academy of Music and the profile of its new member.

Jocy de Oliveira
Está envolvida com uma variedade de mídias desde o início dos anos 60. Tem ulitizado instrumentos acústicos e eletrônicos, teatro musicado, instalações, textos, grafismos, video, público e dança, aproximando-se de um desenvolvimento orgânico de performance e composição. É a compositora mais proeminente do Brasil, com seis óperas e peças para teatro musicado apresentadas com êxito em diversas produções pelo mundo. Como pianista, tem dezessete discos lançados com obras suas e de outros compositores contemporâneos. Autora de quatro livros publicados no Brasil e nos EUA, ela também criou e produziu diversos videos. Recebeu diversas bolsas e premiações como Rockfeller Foundation, CAPS, New York Council on the Arts, Pan American Union, Vitae e Rioarte. É membro da Academia Brasileira de Música.

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Gama Malcher e a Língua Nacional
Mais fecundo e brilhante compositor de óperas do estado do Pará, o maestro José Cândido da Gama Malcher (1852-1921) é patrono da cadeira 24 da Academia Brasileira de Música. Formado no Conservatório de Milão, ainda estudante ligou-se a Carlos Gomes e foi um dos seus mais dedicados benfeitores. Escreveu quatro óperas, três com texto em italiano e uma em português. Seus últimos trabalhos para canto, escritos no vernáculo, são assunto deste artigo.

Gama Malcher and National Language
The most prolific and brilliant composer of operas in the state of Pará, maestro José Cândido da Gama Malcher (1852-1921) is the patron of the chair number 24 of the Brazilian Academy of Music. Having obtained his degree in the Milan Conservatory, while he was still a student he formed close ties with Carlos Gomes and was one of his most dedicated benefactors. He wrote four operas, three of them to Italian librettos, and one with a Portuguese text. His late works for voice, written in his native language, are the subject of this article.

Vicente Salles
Paraense, é antropólogo, historiador e folclorista. Diplomado pela Faculdade Nacional de Filosofia da antiga Universidade do Brasil. Trabalhou com Renato Almeida, Edison Carneiro, Andrade Murici e Mozart de Araújo. Redator e diretor da Revista Brasileira de Folclore durante 10 anos. Organizou e dirigiu a Biblioteca Amadeu Amaral (Funarte); dirigiu o Museu da Universidade Federal do Pará. Membro da Academia Brasileira de Música e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Publicou, entre outros, o ensaio Maestro Gama Malcher – Patrono da cadeira 24 da Academia Brasileira de Música, 1999 e organizou o álbum de partituras remanescentes deste compositor – 5 peças para piano solo e 5 peças para canto e piano.

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