Capa da Brasiliana - N.15Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 15 - Setembro de 2003

Coordenação Editorial - Ricardo Tacuchian

Capa: Manzoni, "Arlequim e a flauta" (reprodução Copy-Oil)
Fotolitos: BR Donneley América Latina
Produção: Andréa Fraga D'Egmont
Projeto Editorial e Edição: Heloisa Fischer
Editoração
: Hybris Design
Versões em Inglês: Laura Rónai
Revisão: Karine Fajardo
Distribuição: Paulo Garcia
Fotolitos: Mergulhar
Tiragem: 1.000 exemplares


- Editorial, por Edino Krieger, presidente da Academia Brasileira de Música

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- Dos sons à imagem da música
...
Marcos Nogueira

- Introdução do violão no Rio de Janeiro - Constituição da técnica e repertório de concerto
... Marcia Taborda

- Roberto Tibiriçá, um maestro a serviço da música e da juventude de seu país
... Ricardo Tacuchian

- Saudação a João Guilherme Ripper em sua posse na ABM
... Ernani Aguiar


Editorial

O presente número da revista Brasiliana registra o momento histórico da inauguração da primeira sede própria da Academia Brasileira de Música, dia 9 deste mês de setembro ( ver matéria na pg. 28). Na ocasião, foi descerrrada pela acadêmica e vice-presidente Mercedes Reis Pequeno uma placa comemorativa do evento, em que se registra ser a Casa de Villa-Lobos um legado de seu patrono, cuja aquisição foi iniciada na gestão do presidente José Maria Neves e concluída pela atual diretoria. Além do espaço já reformado e que abriga a administração da ABM, foi apresentado o projeto arquitetônico de reforma dos demais espaços, incluindo um pequeno auditório, biblioteca, sala de acervos e cantina. Detalhes desse projeto são reproduzidos na quarta capa deste número.
Após a cerimônia de inauguração, foi realizada a primeira sessão solene na sede, para dar posse ao novo acadêmico John Neschling, eleito para a cadeira N. 12. na vaga do saudoso presidente José Maria Neves. A acadêmica Jocy de Oliveira fez a saudação de boas vindas ao novo membro da ABM (a ser publicada na próxima edição desta revista), cuja presença em muito valoriza a nossa instituição.
A programação editorial da casa é também enriquecida com os lançamentos do livro
Fructuoso Vianna, Orquestrador do Piano, de Marcos Câmara de Castro, iniciando a Coleção ABM Editorial, e dos CDs As Malibrans, ópera de Jocy de Oliveira, e Ouvindo Osvaldo Lacerda, ambos em selo ABM Digital.

Edino Krieger
Presidente

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Dos sons à imagem da música
O artigo apresenta uma discussão acerca da experiência estética musical. Está dividido em três seções. Na primeira discutem-se o caráter do som que é percebido como música e a constituição da forma com a qual é ele representado e expresso analogicamente no ato da escuta. Em seguida, abordam-se os aspectos diversos da percepção e a produção simbólica do ouvinte. Na seção final, a metáfora é discutida como tradutora indispensável na experiência estética com a música, um mecanismo lingüístico com o qual expressamos a produção do imaginário quando ativado pelos recursos ficcionais dos sons musicais.

From sounds to image in music
The article presents a discussion about the musical aesthetic experience. It is divided in three sections. In the first, the character of the sound which is perceived as music is discussed, as well as the constitution of the form in which it is represented and expressed analogically during the act of hearing. Then the multiple aspects of perception and symbolic production of the listener are broached. In the final section, the metaphor is discussed as an indispensable translator in the aesthetic experience with music, a linguistic mechanism through which we express the production of the imaginary when activated by the fictional resources of musical sounds.

Marcos Nogueira
É compositor e professor de composição da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Graduou-se em Composição pela UFRJ (1990). É mestre em Musicologia pela UNI-Rio (1996), tendo produzido dissertação intitulada "Música e Ficção: introdução a uma estética da recepção musical", e doutorando em Comunicação e Cultura pela ECO-UFRJ, desde 2000. Além de participações em Bienais e mostras de música contemporânea, tem apresentado e publicado artigos e resenhas em congressos e diversos periódicos, tais como a revista Debates, da Pós-Graduação/UNI-Rio ("Condições de interpretação musical"), a revista Interfaces, do Centro de Letras e Artes/UFRJ ("Música Final, de Jorge Coli"), e a Revista Brasileira de Música/EM-UFRJ ("Música como desrealização: sobre o real, o imaginário e o ato da composição").

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Introdução do violão no Rio de Janeiro - Constituição da técnica e repertório de concerto
O artigo inicia-se com breve histórico do surgimento do violão e dos métodos de ensino publicados em fins do século XIX, para então mergulhar no contexto brasileiro.
São inventariados os principais nomes ligados ao instrumento na cena carioca - desde o professor italiano Bartolomeu Bortollazzi que em 1826 publicou anúncio divulgando o ensino de viola francesa, passando por Villa-Lobos até chegar às atividades e conquistas do violonista Turíbio Santos em meados do século XX.
A autora observa que o desenvolvimento do violão de concerto na cidade, ressentiu-se da falta de continuidade nas iniciativas..

The introduction of the guitar in Rio de Janeiro - The building of technique and concert repertoire
The article starts with a brief history of the emergence of the guitar and the methods published by the end of the 19th century, and goes on to analyze the Brazilian context. The main names connected to teaching in the carioca scene are listed - from the Italian professor Bortollazzi, who, in 1826, published, an advertisement announcing lessons on the French guitar to the activities and achievements of guitarist Turíbio Santos, in the 20th century, including Villa-Lobos, who composed an important oeuvre for the instrument. The author observes that the development of the concert guitar in the city of Rio has been suffering from the lack of continuity in its activities.

Marcia Taborda
É violonista diplomada pela UNI-RIO e mestre em música pela UFRJ. Foi a única brasileira premiada com a bolsa de especialização concedida pelo The J. F. Kennedy Center. Integrou a equipe de pesquisadores do Dicionário Cravo Albin de Música Popular Brasileira. Participou da organização do Encontro Nacional de Pesquisadores da Música Popular Brasileira (2001). É co-autora do livro 500 anos da música popular brasileira, realização da FMIS e FAPERJ. Em 2000, ingressou no Doutoramento do Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ, estando por concluir a tese História Social do Violão no Rio de Janeiro - 1870/1930, orientada pelo Prof. Dr. José Murilo de Carvalho

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Roberto Tibiriçá, um maestro a serviço da música e da juventude de seu país
Elogio acadêmico proferido pelo acadêmico Ricardo Tacuchian na posse do maestro Roberto Tibiriçá na cadeira 5 da Academia Brasileira de Música em 23/06/2003. O orador lembrou que todos os ocupantes desta cadeira estiveram de certa forma ligados à regência, mas o novo confrade é o primeiro a dedicar sua carreira profissional exclusivamente à regência. Tacuchian ressaltou o importante trabalho de Tibiriçá na promoção da música orquestral brasileira.

Roberto Tibiriçá, a conductor who serves the music and the youth of his country
Academic greeting delivered by academic Ricardo Tacuchian on June 23, 2003, when the conductor Roberto Tibiriça became a member of the Academia Brasileira de Música, occupying its chair number 5. The speaker reminded the listeners that all the musicians who had occupied that chair had somehow been linked to conducting, but that the new colleague is the first to entirely dedicate his professional career to conducting. Tacuchian pointed out Tibiriçá´s important contribution to the advance of Brazilian orchestral music.

Ricardo Tacuchian
É compositor e regente. Doutor em Música pela University of Southern California, professor da Universidade do Rio de Janeiro, membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Música. Escreve para as principais revistas especializadas em música no Brasil. Em 2000 foi Residente da VIlla Serbelloni, em Bellagio, Itália, sob o patrocínio da Rockefeller Foundation. Em 2002, recebeu encomenda da Fundação Apollo, de Bremem (Alemanha), para compor ciclo de canções com versos de Drummond, e foi compositor convidado do Oitavo Festival Other Minds, em São Francisco (EUA). Foi professor visitante da Universidade Nova de Lisboa e pesquisador do Museu da Música Portuguesa, em Cascais, em 2002-2003.

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Saudação a João Guilherme Ripper em sua posse na ABM
Elogio acadêmico proferido pelo acadêmico Ernani Aguiar na posse do compositor matogrossense João Guilherme Ripper na cadeira 30 da Academia Brasileira de Música em 28/07/2003. Aguiar ressaltou a ligação do novo acadêmico com a poesia, relembrou interessante encontro com Mignone e destacou as principais obras de sua carreira.

A Salute to João Guilherme Ripper at the occasion of his taking office in the ABM
The academic greeting delivered by academic Ernani Aguiar when the composer from Mato Grosso, João Guilherme Ripper, became a member of the Academia Brasileira de Música on July 28, 2003, occupying its chair number 30. Aguiar emphasized the connection of the new academic to poetry, remembered an interesting meeting with Mignone and pointed out the main works and achievements in Ripper´s career.

Ernani Aguiar
É professor de regência do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO e da Escola de Música da UFRJ. Foi coordenador do Projeto Orquestras da Funarte (1982-1985). Em 1990, recebeu o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro. Como regente, dedica-se especialmente ao repertório brasileiro e ao repertório contemporâneo internacional. Como pesquisador, tem sua atenção totalmente voltada para a música brasileira do período colonial, tendo realizado edição crítica de grande quantidade de obras. Como compositor, tem tido sucesso expressivo, e sua música está freqüentemente presente em programas de concertos, no Brasil e no exterior, existindo boa quantidade de edições fonográficas de obras suas. Foi provavelmente o primeiro estrangeiro, nos últimos três séculos, a reger o grande coro da Catedral de Florença, e recebeu o título de Maestro de Capela em Santa Maria de Peretola, na mesma cidade.

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