Capa da Brasiliana - N.14Brasiliana

Revista Brasiliana
Número 14 - Maio de 2003

Coordenação Editorial - Ricardo Tacuchian

Capa: Serigrafia de Carlos Scliar.
Foto: Clarisse Hämmerli

Produção: Andréa Fraga D'Egmont
Projeto Editorial e Edição: Heloisa Fischer
Editoração
: Hybris Design
Versões em Inglês: Laura Rónai
Revisão: Cristiane Dantas
Distribuição: Paulo Garcia
Fotolitos: Mergulhar
Tiragem: 1.000 exemplares


- Editorial, por Edino Krieger, presidente da Academia Brasileira de Música

Resumo dos artigos (em português e inglês) e perfil dos autores

- Reavaliando o Romantismo Musical Brasileiro
...
Ricardo Tacuchian

- A Trajetória de José Penalva
... Elisabeth Seraphim Prosser

- Darius Milhaud: 80 Anos de Música
... Anna Stella Schic Philippot

- Saudação a Ilza Nogueira
... Vasco Mariz

- Saudação a Lutero Rodrigues
... Ernani Aguiar


Editorial

O No. 14 da Brasiliana registra com prazer a eleição recente de três novos acadêmicos: Ilza Nogueira e Lutero Rodrigues, já empossados (saudações de boas-vindas nas págs. 16 e 20) e Roberto Tibiriçá, cuja posse ocorrerá no dia 23 de junho próximo. São três destacados batalhadores em favor da música brasileira, cuja presença muito enriquece a Casa de Villa-Lobos.
A instituição vive momento de intensa produção, com o emitente lançamento de dois livros e um CD.
Com prefácio do saudoso presidente José Maria Neves, que se empenhou em sua publicação a ABM lança uma edição facsimilar das Sonate da Cimbalo di Piano e Forte, do italiano Ludovico Giustini di Pistoia, editadas em Florença em 1732. Trata-se de um grupo de sonatas comissionadas por um brasileiro, Dom João de Seixas da Fonseca Borges, nascido no Rio de Janeiro e formado no Mosteiro Beneditino da Bahia, e que estagiou por longos anos na Europa. A apresentação das obras e a coordenação de sua atual edição facsimilar coube ao musicólogo alemão radicado em Lisboa, Gerhard Doderer. Uma gravação em CD das sonatas pela cravista Cremilde Rosado Fernandes, num pianoforte de 1767, será encartada ao livro.
Outra publicação de grande interesse é a monografia Fructuoso Vianna, Orquestrador do Piano, do paulista Marcos Câmara Castro, vencedor do I Concurso Nacional de Monografias instituído no ano passado pela ABM. Com o lançamento desse livro, será anunciado também o II Concurso Nacional de Monografias, que levará o nome do idealizador do primeiro certame - José Maria Neves.
Também o selo ABM Digital é enriquecido pelo CD Ouvindo Osvaldo Lacerda, com obras do ilustre compositor e acadêmico executadas por Eudóxia de Barros e Mário Balzi, pianos, Cláudio Micheletti, violino, Denise de Freitas, meio-soprano, e Sávio Sperandio, baixo.
A próxima edição da revista Brasiliana trará informações completas sobre estes lançamentos.
A ABM amplia também suas parcerias, lançando este ano, com a Orquestra Petrobras Pró-Música, o I Concurso Nacional Cláudio Santoro para Jovens Compositores, cujo regulamento será divulgado proximamente. E amplia-se o espaço físico da nossa sede própria, com a aquisição de um novo conjunto de salas, de modo a ocupar, a nova sede, todo o 12o andar da Rua da Lapa, 120.
Finalmente, a capa deste número presta homenagem à memória do grande artista plástico Carlos Scliar, autor da capa do primeiro número da Brasiliana, em cuja obra a música é uma presença marcante, como bem comprova a bela serigrafia que hoje reproduzimos, integrante do álbum Carlos Scliar - Homenagem a Carlos Gomes, editado em 1996, ano do centenário da morte do mestre brasileiro.
Edino Krieger
Presidente

Início da Página


Reavaliando o Romantismo Musical Brasileiro
Um panorama do atual estágio de conhecimento sobre o Romantismo Musical Brasileiro. O artigo aponta as razões que levaram a música brasileira do século 19 e início do século 20 a um silencioso ostracismo e levanta questões sobre o seu renascimento.

Revaluating the Brazilian Musical Romanticism
A panorama of the current knowledge of the Brazilian Musical Romanticism. The paper points out the reasons that drove the 19th century and early 20th century Brazilian Music to a silent forgetfulness and raises issues about its revival.

Ricardo Tacuchian
É compositor e regente. Doutor em Música pela University of Southern California, professor da Universidade do Rio de Janeiro, membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Música. Escreve para as principais revistas especializadas em música no Brasil. em
2000 foi Residente da Villa Serbelloni, em Bellagio, Itália, sob o patrocínio da Rockefeller Foundation. Em 2002, recebeu encomenda da Fundação Apollo, de Bremem (Alemanha), para compor ciclo de canções com versos de Drummond, e foi compositor convidado do Oitavo Festival Other Minds, em São Francisco (EUA). Acaba de retornar de Portugal, onde foi professor visitante da Universidade Nova de Lisboa e pesquisador do Museu da Música Portuguesa, em Cascais.

Início da Página


A Trajetória de José Penalva
O artigo contém informações sobre a vida, a obra, a linguagem estilística e o pensamento do acadêmico José Penalva, permitindo avaliar sua dimensão, seu conteúdo, sua expressividade e sua importância na música brasileira atual. A obra de Padre Penalva demonstra, de um lado, um compositor preocupado com o lado reflexivo e filosófico da criação; de outro, um músico de humor refinado e de profunda humanidade.

The Life and Work of José Penalva
The article presents information about the life, the work, the esthetic language and the philosophy of José Penalva (member of the Brasilian Academy of Music), thus allowing na appraisal of his achievements, his expressiveness and his importance to contemporary Brazilian music. The oeuvre of Father José Penalva demonstrates, on one hand, a composer who was concerned with the reflexive and philosophical aspects of creation, and on the other hand, a musician endowed with refined humor and profound humanity.

Elisabeth Seraphim Prosser
Flautista, cravista e pesquisadora, estudou no Canadá de 1980 a 1986. Fundadora e solista da Camerata Antiqua de Curitiba, gravou discos, vídeos e CDs e tocou sob a regência de Roberto de Regina, José Penalva, Roberto Schnorrenberg e Lutero Rodrigues, entre outros, e com músicos como Edmundo Hora, Ingrid Seraphim, Ricardo Kanji, Pierre Hamon, Maria Alice Brandão etc. Professora, artista convidada e palestrante de diversos cursos de verão e inverno, e diretora artística e organizadora de inúmeros Cursos e Oficinas de Música. Especialista em História da Música e Mestre em Educação, tem artigos publicados no Brasil e no exterior. É membro do corpo docente da PUCPR e da Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Autora de diversos livros, edita, ainda, os ANAIS dos Simpósios Latino-Americanos de Musicologia, das Jornadas de Iniciação Científica em Arte da EMBAP e dos Fóruns de Pesquisa Científica em Arte da EMBAP, eventos que organiza.

Início da Página


Darius Milhaud: 80 Anos de Música
Quando festejavam-se as oito décadas de vida do compositor francês Darius Milhaud, a pianista brasileira Anna Stella Schic Philippot visitou o mestre para uma entrevista então encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Naquele encontro em 1972, Milhaud recordou a passagem pelo Brasil 50 anos antes e discorreu sobre as vívidas imagens da terra que guardou na memória, na música e no coração.

Darius Milhaud: 80 years of Music
When the eightieth birthday of French composer Darius Milhaud was being commemorated, Brazilian pianist Anna Stella Schic Philippot visited the master for na interview which had been commissioned by the newspaper O Estado de São Paulo. In that meeting, in 1972, Milhaud remembered his visit to Brazil fifty years before, and talked about the vivid memories of the land that he kept in his memory, his music and his heart.

Anna Stella Schic Philippot
Estudou no Brasil com José Kliass (aluno de Martin Krauss, discípulos de Liszt). Aperfeiçoou-se com Marguerite Long, em Paris. Michel Philippot, Villa-Lobos, Camargo Guarnieri, Garcia Morillo, Cláudio Santoro e Almeida Prado lhe dedicaram partituras. Estreou, sob a direção do próprio Villa-Lobos, o Concerto Nº 2 e Momo precoce. Dentre suas gravações destaca-se a integral da obra para piano de Villa-Lobos. Anna Stella Schic ocupa a cadeira N. 26 da Academia Brasileira de Música.

Início da Página


Saudação a Ilza Nogueira
Saudação proferida na sessão de posse de Ilza Nogueira na cadeira 27 da Academia Brasileira de Música, em 1º de abril de 2003. O autor ressalta a personalidade multifacetada da nova acadêmica baiana, residente na Paraíba, que além de educadora é musicóloga, pesquisadora, escritora e compositora.

A Salute to Ilza Nogueira
The salute read when Ilza Nogueira was invested in the Brazilian Academy of Music, in April 1, 2003. The author emphasizes the multi-faceted personality of the new member from Bahia, who lives in Paraíba, and who, besides being na educator, is also a musicologist, researcher, writer na composer.

Vasco Mariz
Musicólogo e historiador brasileiro, é autor dos livros: "Heitor Villa-Lobos" (12 edição, a última 1991 , das quais 6 do exterior ) , "Dicionário Biográfico Musical" ( 3 edições , a última 1991 ) , a "Canção Brasileira" ( 5 edições, a última 1985 ) . A História da Música no Br ( 5 edições , a última em 2000) . Três musicólogos ( 1985) , Claudio Santoro ( 1994) . Ex- presidente da Academia Brasileira de Música (1991-1993).

Início da Página


Saudação a Lutero Rodrigues
Saudação proferida na sessão de posse de Lutero Rodrigues na cadeira 36 da Academia Brasileira de Música, em 1º de abril de 2003. O autor fornece visão panorâmica da carreira do regente e frisa sua importância na divulgação de repertório brasileiro, através de execução em orquestras, pesquisas, ensino e programas de rádio.

A Salute to Lutero Rodrigues
The salute read when Lutero Rodrigues Nogueira was invested in the Brazilian Academy of Music, in April 1, 2003. After a panoramic view of the conductor´s career, the author stresses his fundamental importance in the dissemination of Brazilian repertorie, be it through orchestra performances, researches, teaching or radio programs.

Ernani Aguiar
Fez seus estudos musicais sob a orientação de Paulina d'Ambrósio e Santino Parpinelli (violino e viola), César Guerra-Peixe (composição), Carlos Alberto Pinto Fonseca (regência) e Jean-Jacques Pagnot (música de câmara). Foi bolsista do Mozarteum Argentino, tendo estudado com Sérgio Lorenzi. No Conservatório Cherubini, em Florença (Itália), estudou com Roberto Micchelucci (violino), Annibale Gianuario (regência), Franco Rossi (música de câmara) e Mário Fabbri (história da música). Fez cursos de aperfeiçoamento em regência com Franco Ferra, Adone Zecchi, Giuseppe Montanari e Sergiu Celibidache. Foi provavelmente o primeiro estrangeiro, nos últimos três séculos, a reger o grande coro da Catedral de Florença, e recebeu o título de Maestro de Capela em Santa Maria de Peretola, na mesma cidade. É professor de regência do Instituto Villa-Lobos da UNIRIO e da Escola de Música da UFRJ. Foi coordenador do Projeto Orquestras da Funarte (1982-1985). Em 1990, recebeu o título de Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro. Como regente, dedica-se especialmente ao repertório brasileiro e ao repertório contemporâneo internacional. Como pesquisador, tem sua atenção totalmente voltada para a música brasileira do período colonial, tendo realizado edição crítica de grande quantidade de obras. Como compositor, tem tido sucesso expressivo, e sua música está freqüentemente presente em programas de concertos, no Brasil e no exterior, existindo boa quantidade de edições fonográficas de obras suas.

Início da Página