Tendo tido contato com a música desde a infância, estudou violino e mais tarde, piano, concluindo o Curso de Regência na USP, em 1980. Até então havia atuado como regente coral, à frente de vários grupos, destacando-se o Madrigal “Klaus-Dieter Wolff” que recebeu o prêmio de “Melhor Coral do Ano de 1980”, outorgado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte(APCA). Nos três anos seguintes, continuou seus estudos na Alemanha, na Escola Superior de Música de Detmold, sob a orientação de Martin Stephani. Durante este período, estudou também com Sergiu Celibidache.
De volta ao Brasil, em 1984, desenvolveu intenso trabalho voltado à formação de músicos, atuando como regente da Orquestra Sinfônica Jovem do Conservatório de Tatuí(1985-1987) e Orquestra Sinfônica Juvenil do Litoral (1984-1991). Durante 12 anos(1986-1998), foi regente da Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba, com a qual realizou várias turnês nacionais e internacionais (México e Dinamarca). Na temporada de 1992, foi também Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Paraíba.
Inúmeras vezes coordenou e dirigiu eventos, cursos e festivais de música, destacando-se o Festival de Inverno de Campos do Jordão, do qual foi Diretor Artístico durante 4 anos (1987 a 1990) e as Oficinas de Música de Curitiba.
De 1996 a 2003, foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra de Câmara Theatro São Pedro, de Porto Alegre. De 1998 a 2005, foi Regente da Sinfonia Cultura - Orquestra Sinfônica da Rádio e TV Cultura – da qual tornou-se também, a partir de 1999, seu Coordenador Musical. Com esta orquestra que, durante a sua existência, foi aquela que maior número de composições brasileiras executou, em todo o país, realizou centenas de gravações radiofônicas e dezenas de gravações para a televisão, além de várias gravações de trilhas de cinema, vinhetas e acompanhamentos de grupos de ballet. Como Regente Convidado, já dirigiu as principais orquestras brasileiras e atuou também no exterior: Alemanha., Costa Rica, México, Espanha e Dinamarca.
Tendo regido um amplo repertório internacional (cerca de 45 sinfonias), dedicou-se cada vez mais, nos últimos 20 anos, à pesquisa, divulgação e interpretação do repertório brasileiro. Como a maioria absoluta da nossa produção musical permanece manuscrita e quase sempre em precárias condições de conservação, passou a realizar, sistematicamente, a revisão e correção dos manuscritos, preparando-os para serem executados ou editados. Inúmeras foram as obras orquestrais brasileiras do passado, remoto ou recente, que receberam este tratamento. Com o mesmo cuidado, dedicou-se também à execução de obras brasileiras de autores contemporâneos, estimulando a produção de jovens compositores e prestando-se a colaborar com os mesmos na solução dos eventuais problemas advindos da execução musical.
Somando-se toda a sua atividade como regente, já dirigiu (até o final de 2004), cerca de 470 obras, da autoria de 130 compositores brasileiros, 100 delas em estréia mundial. Ao final de 2002, foi eleito membro da Academia Brasileira de Música, da qual passou a ocupar a cadeira nº 36. |
Fundador
José Vieira Brandão
José Vieira Brandão (pianista, compositor, regente e professor) nasceu em
Cambuquira (MG) em 26 de setembro de 1911. Aos sete anos, transferiu-se para o Rio de
Janeiro e, em 1924, ingressou no Instituto Nacional de Música, onde estudou com Roberta
Gonçalves de Sousa Pinto, Raimundo da Silva e Alfredo Richard (teoria e solfejo), Paulo
Silva ( contraponto e fuga) e Custódio Fernandes Góis (piano). Diplomou-se me 1929,
obtendo Medalha de Ouro de piano. Três anos depois, recebeu o diploma do Conservatório
Nacional de Canto Orfeônico, do Rio de Janeiro. Fez aperfeiçoamento em piano com
Marguerite Long.
Em 1934, fundou o Madrigal Vox do Conservatório Brasileiro de Música, do qual
foi o regente até 1945. Fez recitais no Brasil e no exterior. Tornou-se professor de
regência no Conservatório de Canto Orfeônico, a partir de 1943. Entre 1945 e 1946, foi
bolsista da University of Southern California, em Los Angeles, período em que além de
estudar os diversos sistemas de educação musical utilizados pelas escolas
norte-americanas, regeu o conjunto coral daquela universidade, o Madrigal Singers, além
de realizar várias palestras e recitais em diversas cidades norte americanas. Foi quem
representou o Brasil na Bienal de Educadores Musicais em Cleveland, EUA, em 1946. No ano
seguinte, retornou ao Brasil, dedicando-se à composição e atuando também como regente
de corais, como os do Conservatório Nacional de Canto Orfeônico e do Conservatório
Brasileiro de Música , do Rio de Janeiro. Fez parte do Serviço de Educação Musical e
Artística da Prefeitura do antigo Distrito Federal. Docente Livre de Piano na Escola
Nacional de Música, a partir de 1950. Em 1956, assumiu o cargo de Técnico em Educação
Musical e Artística junto à Secretaria Geral de Educação e Cultura do Rio de Janeiro.
Faleceu a 27 de julho de 2002.
Obras principais
Ópera: Máscaras (1959).
Música orquestral: Fantasia concertante para piano e orquestra (1937-1959); Máscaras
(1959).
Música de câmara: Trio (1961); Quarteto n. 1 (1944-1951); Quarteto n. 2 (1958-1960);
Choro (1945).
Música instrumental: Minueto (1926); Serestas n. 1 e 2 (1942); Suite n. 1 (1940); Única
seresta (1948); Valsa scherzo (1937); Sonata para violoncelo e piano (1954-1955).
Música vocal: Adivinhação; Prequeté; Só; Silêncio; Soneto inglês; Canto do aviador
brasileiro; Trem de ferro; Missa de Páscoa.
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