Acadêmicos


 

 

João Guilherme Ripper

 

Cadeira 30
Patrono: Alberto Nepomuceno
Fundador: João Batista Julião
1º Sucessor: Mozart de Araújo
2º Sucessor: Mário Tavares


"The second half began with the UK premiere of the First Sonata by Joao Guilherme Ripper, a contemporary Brazilian, dating from 1994 and admitting to an influence from Alban Berg's Sonata Op.1. This was a most effective and well written piece, very well laid out for the keyboard and I look forward to hearing more of this interesting composer's music in the future."

Robert Matthew-Walker, Musical Opinion, London, August 2005

 

João Guilherme Ripper nasceu no Rio de Janeiro. Graduou-se e cursou Mestrado em composição e regência na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde estudou com Henrique Morelenbaum, Ronaldo Miranda e Roberto Duarte. Cursou Doutorado na The Catholic University of América, em Washington D.C., sob orientação do violinista e compositor Helmut Braunlich (composição) e da musicóloga Emma Garmendia (música latino americana). Realizou estudos adicionais em regência orquestral com o maestro Guillermo Scarabino em Mendoza e Buenos Aires, na Argentina.

Ripper foi professor e coordenador do Curso de Música da Universidade Estácio de Sá. Nos EUA, foi Professor Assistente da classe de Orquestração na The Catholic University of America e Professor do Programa de Música do Sistema Público de Educação de Montgomery County, Maryland.  Fundou a Associação de Compositores de Montgomery County, entidade que congrega compositores que residem naquela região. Desde 1988, é professor de Composição, Harmonia, Análise Musical e Análise Schenkeriana nos cursos de graduação e pós-graduação da Escola de Música da UFRJ. De volta ao Brasil, Ripper foi Coordenador do Programa de Pós-Graduação em 1998 e Diretor da instituição de 1999 a 2003.

Em 2004, foi nomeado Diretor da Sala Cecília Meireles, cargo que ocupa atualmente. Sua gestão tem sido caracterizada por novas séries de concertos, renovação de repertório, criação de ciclos temáticos, valorização da música brasileira e intercâmbio com instituições estrangeiras. Por ocasião das comemorações dos 40 anos da Sala Cecília Meireles em 2005, encomendou cinco obras sinfônicas a compositores residentes no Rio de Janeiro e fez publicar um livro de arte sobre a história dessa sala de concertos. Além disso, a Sala Cecília Meireles tem obtido resultados significativos na formação de público e freqüência a concertos através de concertos didáticos para jovens.

Como regente, dirigiu diversas orquestras como Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra Sinfônica de Brasília, Orquestra da Rádio Cultura de SP, Orquestra Sinfônica da Província de Cuyo (Arg.) e Orquestra Sinfônica da Escola de Música da UFRJ. Ripper fundou e é o Diretor Artístico da Orquestra de Câmara do Pantanal, em Mato Grosso do Sul. Foi responsável pela criação de temporadas regulares de concertos nesse estado, além de dirigir concertos didáticos e populares.

Suas obras têm sido tocadas nas principais salas de concerto do Brasil e exterior. Destacam-se as diversas apresentações de “Brasiliana”, escrita em 1996 para conjunto de sopros, em nosso país e nos EUA. Em 1999, a partir de uma encomenda da Orquestra Sinfônica de Akron (Ohio), escreveu “Abertura Concertante” estreada em março de 2000, em um concerto dedicado aos 500 anos do Brasil. Também em 2000, escreveu e estreou sua ópera “Domitila”, baseada na correspondência amorosa entre D. Pedro I e a Marquesa de Santos. Também desse ano é sua cantata “Peabiru”, para solistas, coro, dois pianos e percussão. Em julho de 2003, Ripper estreou a ópera “Anjo Negro” no Centro Cultural Banco do Brasil de SP, escrita sobre o texto homônimo de Nelson Rodrigues. Nesse mesmo ano, estreou em São Paulo o “Ciclo Portinari”: uma série de oito canções para soprano e mezzo soprano sobre poemas do pintor. Outras obras recentes: “Psalmus” (2002) para orquestra Sinfônica; “Magnificat” (2004) para solistas, coro e orquestra de câmara, escrita para os 30 anos da Camerata Antiqua de Curitiba; “Ciclo Pierrot – Seis Canções de Carnaval” (2005) sobre poemas de Manuel Bandeira, para barítono e piano; “Cervantinas” (2005) para mezzo soprano e banda sinfônica, encomendada pela Banda Sinfônica do Estado de São Paulo.

Ripper recebeu o prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 2000, pela ópera “Domitila”. Em dezembro de 2005, a Revista Bravo, em sua 100a edição, selecionou a ópera “Anjo Negro” como uma das 100 melhores produções musicais realizadas no Brasil, nos últimos oito anos.

Ripper é membro da Academia Brasileira de Música, onde ocupa a cadeira n. 30, cujo patrono é Alberto Nepomuceno.

 


Fundador

João Batista Julião

João Baptista Julião (professor e compositor) nasceu em Silveiras (SP) em 19 de setembro de 1886 e faleceu em São Paulo em 20 de maio de 1961. Sua iniciação musical se fez em sua cidade natal, como participante de banda dirigida por Desidério Alves Leite. Em 1904, foi para Mogi das Cruzes, onde participou da Corporação Musical Guarani. Passou a reger a Corporação Musical União Mogiana, fruto da união das bandas Guarani e Euterpe, ambas de Mogi das Cruzes, até 1914. Nessa época, começou a compor e escrever revistas para teatro. Seus estudos superiores começam em 1912, no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, orientado por Savino de Benedictis e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e Silva Júnior.

Fundou no ano seguinte o Instituto Musical de Mogi das Cruzes e, ao concluir seu curso, assumiu a função de mestre-de-capela da igreja matriz da cidade. Anos depois, seguiu para o Rio de Janeiro, onde especializou-se no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico e obteve registro ( o primeiro) junto ao Ministério de Educação e Saúde como professor de canto orfeônico. Assim titulado, assumiu a cadeira de música e canto orfeônico da Penitenciária-Modelo do Estado de São Paulo. Tornou-se colaborador do maestro João Gomes Júnior, na preparação dos alunos de grupos escolares, por ocasião da comemoração do Centenário da Independência, em 1922. Por esse tempo, foi efetivado como professor da Escola Normal padre Anchieta, São Paulo. Em 1927, fundou com outros o Instituto Musical de São Paulo.

Em 1944, teve a missão de elaborar um plano para o ensino de canto orfeônico. Em 1949 passou a dirigir o curso de canto orfeônico do Instituto de Educação Caetano de Campos, transformado posteriormente em Conservatório Estadual de Canto Orfeônico. Foi iniciativa sua a fundação do conservatório de canto orfeônico, que tem hoje seu nome, ligado à Universidade Católica de Campinas, SP. Dentre suas composições encontram-se peças para piano e violino e música sacra. Publicou Chave para os cadernos de exercícios caligráficos e análise musical (São Paulo, 1922). É fundador da Cadeira n. 30 da Academia Brasileira de Música.

 


1º Sucessor

Mozart de Araújo

José Mozart de Araújo (musicólogo, professor e historiador) nasceu em Campo Grande (CE) em 25 de janeiro de 1904. Partiu para o Rio de Janeiro em 1928, para fazer o curso de Medicina. Fez pesquisas e análises de documentos sobre a música no Brasil, chegando a reunir grande coleção de manuscritos e edições raras de música brasileira desde o período colonial. Veio a ocupar cargos públicos na área musical: vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira e membro do Conselho de Música Erudita do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Dirigiu a Revista Brasileira de Cultura, onde assinou artigos sobre música brasileira. Publicou A Modinha e o lundu no século XVIII (São Paulo: Ricordi Brasileira, 1964), além de grande quantidade de artigos em jornais e revistas especializadas.

 


2º Sucessor

Mário Tavares

Considerado, por muitos, o mais autorizado intérprete e autêntico divulgador da obra orquestral de Villa Lobos, o compositor e regente Mário Tavares foi, desde 1960, o maestro titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. De seu mestre, Don Victor Tevah, Tavares herdou a maneira eficiente e descontraída com que obtém, em tempo recorde, o mais alto rendimento artístico das orquestras com as quais se apresenta. Com este maestro já se apresentaram mais de 120 mil solistas, nacionais e estrangeiros. O renomado maestro atuou em Bonn, na Alemanha, com a Beethovenhalle Orchester; nos Estados Unidos, Portuga, Porto Rico, Chile, Colômbia, Peru, Romênia e Bulgária.

Durante dezesseis anos foi regente oficial dos Festivais Internacionais Villa Lobos, no Rio de Janeiro. Paralelamente, atuou como principal maestro dos Festivais da Canção Popular, entre 1967 e 1975, na Rede Globo de Televisão. São até mesmo lendárias as suas atuações "salvando situações emergenciais" como no jubileu de B. Bartok, com Giorgy Sandor, em 1970, ou com Arnaldo Estrella ao piano, no Centenário de F.Busoni, em 1966, ou ainda acompanhando em improviso a Mstslav Rostropovich, nos trinta anos da Manchete, em 1982. Fez a estréia mundial do Gênesis, de Villa Lobos, e a primeiro audição da Floresta do Amazonas em 1969, do bailado Rudá e da Fantasia Concertante para orquestra e violoncellos.

No gênero lírico, regeu óperas como: Salomé, de Richard Strauss, Yerma de Villa Lobos, além de outras de Puccini, Carlos Gomes e Francisco Mignone. O compositor recebeu vários prêmios nacionais, como o do quinquagésimo aniversário do Theatro Municipal, o do IV Centenário da Cidade do Rio de Janeiro e o de Música para Bailado/93. Mário Tavares foi fundador da Associação Brasileira de Violoncelistas e Membro Honorário e Vitalício de Orquestras Sinfônicas corno as de Porto Rico, a Sinfônica da Universidade do Chile e a Filarmônica Oltênio da cidade de Craiova, na Romênia. Foi agraciado pelo governo brasileiro com a ordem do Rio Branco, no grau de Comendador. Foi Membro Honorário da Sociedade Brasileira de Musicologia. Primeiro regente brasileiro a receber o "Prêmio Nacional da Música - MINC/95, com expressiva votação de âmbito nacional."


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