Acadêmicos


 

 

Vicente Salles

 

Cadeira 02
Patrono: Luis Álvares Pinto
Fundador: Fructuoso Vianma
1º Sucessor: Waldemar Henrique

 

A Música e o Tempo no Grão-Pará, de Vicente Salles (Belém: Conselho Estadual de Cultura, 1980) foi a grande contribuição que o pesquisador, antropólogo e folclorista deu à musicologia brasileira. Nesta obra, Vicente Salles afirma: "Belém foi sede de poder político, econômico, militar e religioso. Não nos surpreende a existência de uma arquitetura monumental; conseqüentemente, não nos deve surpreender a música que aqui se implantou e se praticou" (p. 19). Nascido em Igarapé-Açu, Pará, em 1931, Vicente Salles logo exerceu o jornalismo no O Estado do Pará e iniciou suas pesquisas de folclore.

No Rio de Janeiro, diplomou-se na Universidade do Brasil (hoje UFRJ) em Ciências Sociais, com especialização em Antropologia. Na Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, Vicente Salles organizou a Biblioteca Amadeu Amaral e o Serviço de Documentação, planejou a edição de livros e folhetos sobre folclore, foi redator-chefe da Revista Brasileira de Folclore e lançou vários discos da série Documentário Sonoro do Folclore Brasileiro. No Rio, lecionou Folclore no Instituto Villa-Lobos. Transferindo-se para Brasília, foi secretário da Câmara de Artes do Conselho Federal de Cultura. Por fim, em 1985, transferiu-se para o SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Pró-Memória).

Recentemente, foi curador do acervo de manuscritos e outros documentos musicais da Biblioteca da Universidade Federal do Pará. Membro de várias sociedades culturais e artísticas é hoje considerado um dos grandes especialistas sobre a cultura musical da Amazônia. Salles vem realizando várias pesquisas sobre Antônio Carlos Gomes, especialmente no curto período em que o maestro brasileiro viveu em Belém. Além da obra referida anteriormente, publicou inúmeros livros, dentre os quais se destacam A Música em Belém no século XIX (1961), Música e músicos do Pará (1970), Meneleu Campos (1972), Santarém: uma oferenda musical (1981) e Paulino Chaves, centenário do pianista e compositor (1983). Vicente Salles é o autor de verbetes e textos de inúmeras obras e faz parte do conselho consultivo da revista Brasiliana e da comissão editorial do projeto Bibliografia Musical Brasileira, ambos da Academia Brasileira de Música.

E-mail: marena@solar.com.br

 


Fundador

Fructuoso Vianna

Fructuoso Vianna fez parte do seleto grupo de Villa-Lobos, sendo um de seus intérpretes, em várias ocasiões, como no famoso recital privado para Artur Rubinstein, com obras do mestre, em 1920, e na Semana de Arte Moderna, em 1922. Vianna, que nascera em 1896, em Itajubá, MG, iniciou os estudos de piano na sua cidade natal, transferindo-se, mais tarde, para o Rio de Janeiro, onde estudou com Henrique Oswald no então Instituto Nacional de Música. Começou a compor em 1920 e a lecionar piano no ano seguinte. Foi professor de piano do Conservatório Mineiro de Música e no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Muito ligado a Mário de Andrade, foi regente do Coral Paulistano, fundado pelo grande musicólogo brasileiro. Escreveu música especialmente para piano e para canto e piano. Suas peças mais conhecidas são o Corta-jaca e a Dança de negros, ambas para seu instrumento. Faleceu no Rio de Janeiro em 1976.

 


1º Sucessor

Waldemar Henrique

Boi-Bumbá, Cobra grande, Matintaperera, Rolinha, Senhora Dona Sancha, Tambatajá são algumas das mais executadas canções do repertório vocal brasileiro de todos os tempos. Autor de mais de 120 canções, Waldemar Henrique nasceu em Belém do Pará, em 1905. Passou boa parte de sua infância no Porto, Portugal, retornando, com 13 anos de idade, à sua cidade natal onde iniciou os estudos musicais. Transferiu-se para o Rio de Janeiro em 1933, estudando com Barroso Neto, Newton Pádua, Arthur Bosmans e Lorenzo Fernândez, entre outros. Foi diretor musical da Rádio Roquette Pinto e realizou várias excursões artísticas, como pianista e acompanhador, dentro e fora do país. De volta a Belém, foi diretor do Teatro da Paz. Faleceu nesta cidade, em 1995. A música de Waldemar Henrique, em sua maior parte, com forte expressão dos ritmos e lendas amazônicas, continua sendo divulgada largamente tanto por cantores clássicos como populares.


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