Acadêmicos


 

 

Flavio Silva

 

Cadeira 28
Patrono: Ernesto Nazareth
Fundador: Furio Franceschini
1º Sucessor: Aloysio de Alencar Pinto

 

 

Flavio Silva (Flávio Vieira da Cunha Silva) nasceu a 7 de fevereiro de 1939, em Cachoeira do Sul, RS. Os estudos de piano, iniciados com uma tia, foram continuados em Porto Alegre com Milton Lemos e Natho Henn. Seduzido pelo apelo dos Cursos Internacionais de Férias de Teresópolis, participou do de 1958 e, desde então, logrou mudar-se para o Rio de Janeiro, estudando piano com Hans Graff, Alda Caminha e Homero Magalhães, além de fazer estudos gerais com Esther Scliar e Guerra-Peixe. Em 1960, ingressou na Embaixada da França como discotecário e foi aprovado para o curso de filosofia da Faculdade Nacional de Filosofia. Durante dois anos, foi redator de programas da OSB.

Em 1968, obteve bolsa de estudos para estudos de musicologia em Paris, tendo-se dedicado, sobretudo, à etnomusicologia, com Jacques Chailley, Tran Van Khê, Simha Arom, Claude Laloum, Émile Leipp e Claudie Marcel-Dubois, sob cuja orientação e, com apoio de Luiz Heitor, preparou a memória Origines de la samba urbaine à Rio de Janeiro, só concluída em 1974, após voltar ao Brasil e fazer intensa pesquisa em cerca de 2.500 periódicos cariocas publicados, sobretudo, entre 1916 e 1918.

Em 1977, ingressou na Funarte, como funcionário do então Instituto Nacional de Música, onde exerceu as mais diversas funções envolvendo divulgação e organização musical no Brasil e ocupou vários cargos, inclusive o de diretor do atual Centro da Música, do qual é coordenador de música erudita. Coube-lhe organizar as Bienais de Música Brasileira Contemporânea XV a XVII. Substituiu Vasco Mariz na organização de livro sobre Camargo Guarnieri, imprimiu novos rumos a essa obra, com estudos de vários especialistas, aos quais acrescentou textos seus. Participou da edição de outros livros sobre música pela Funarte, e de gravações de música brasileira.

Foi bolsista da Fundação Vitae e recebeu da Academia Brasileira de Música o segundo lugar em concurso de monografias, com estudo sobre relações entre músicas clássicas e populares no Brasil entre 1920 e 1950, mediadas, em especial, pela influência do disco e do rádio. As pesquisas envolvidas por esses trabalhos levaram-no a encontrar gravações esquecidas de coros escolares cariocas, gravadas em discos em 1940, e que motivaram um dos artigos que publicou na revista Brasiliana. Para a última edição da MGG, preparou verbete sobre Camargo Guarnieri. Ainda para a ABM, fez o catálogo de obras de Francisco Mignone. Tem estudos em andamento sobre Chico Bororó, sobre Guerra-Peixe, sobre a notação pautada como fonte essencial para a construção da música européia e, em ligação com o Conservatório de Pelotas, sobre a música no Rio Grande do Sul de 1900 a 1940.

Eleito para a Academia Brasileira de Música a 11/02/2008, foi empossado a 15/04 do mesmo ano, na cadeira nº 28, anteriormente ocupada por Aloysio de Alencar Pinto. Tem dois filhos, e é casado com a pianista, também acadêmica, Lais de Souza Brasil.

E-mail: flazil@terra.com.br

 


Fundador

Furio Franceschini

Furio Franceschini (regente, organista, compositor e professor) nasceu em Roma (Itália) em 4 de abril de 1880 e faleceu em São Paulo em 15 de abril de 1976. Começou seus estudos musicais com o pai, Filippo Franceschini. Estudou na Academia Santa Cecília de Roma e especializou-se em contraponto e órgão com Filippo Capocci. A seguir, estudou em Paris com Jules Mouquet (fuga e instrumentação) e com Dom André Mocquereau (canto gregoriano), na ilha de Wight (Inglaterra). Apresentou-se como regente de orquestra em Corfu e Atenas (Grécia), em 1903. Um ano depois, veio para o Rio de Janeiro, como regente auxiliar e de coros de uma companhia lírica. Em 1907, mudou-se para São Paulo, onde tornou-se professor de música sacra e canto gregoriano do Seminário Provincial da Arquidiocese de São Paulo, vindo a ser Mestre-de-capela da Sé no ano seguinte. Fez vários cursos de aperfeiçoamento na Europa com Giacomo Setaccioli , Charles-Marie Widor, Philippe Bellenot e Vincent d’Indy. Foi considerado o melhor organista brasileiro de seu tempo, tendo feito inúmeros concertos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Recusou convites para substituir seu antigo professor, Filippo Capocci, na Basílica de São João de Latrão, como Mestre-de-capela. Lecionou, particularmente, órgão, contraponto, fuga e composição. Entre 1933 e 1939, deu aulas de análise musical no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, e foi nomeado professor do curso de cultura e análise musical do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Entre 1944 e 1945, foi professor do curso de estudos dos instrumentos de orquestra organizado pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Publicou o Breve curso de análise musical (São Paulo, 1931) e Compêndio de canto gregoriano (São Paulo, 1938). Compôs mais de 400 peças, entre missas, cânticos sacros, música para canto, orquestra, órgão, piano. Foi Fundador da Cadeira n. 28 da Academia Brasileira de Música.

 


1º Sucessor

Aloysio de Alencar Pinto

Aloysio de Alencar Pinto, pianista, folclorista e compositor, nasceu em Fortaleza (CE) em 3 de fevereiro de 1912 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro em 06 de outubro de 2007, aos 96 anos de idade. Em 1932 bacharelou-se em direito pela Universidade do Ceará. Em 1936 concluiu o curso de piano no Instituto Nacional de Música com Medalha de Ouro.

Foi aluno de Barrozo Netto e Nicolai Orloff, tendo estudado no Conservatoire Américain no Palácio de Fontainebleau onde foi aluno de Robert Casadesus, Marguarite Long e Nadia Boulanger, recebendo no fim do curso o Grande Prémio Mention d’Honneur du Concours de Virtuosité, láurea outorgada a Aaron Copland alguns anos antes.

Como pedagogo e professor de seu instrumento, teve oportunidade de orientar os estudos de eminentes pianistas brasileiros, tais como Jacques Klein, Gerardo Parente, Maria da Penha e Irany Leme.

Como compositor notabilizou-se pelo Ciclo de Canções Afro-Brasileiras, Cantos Indígenas, Acalantos Brasileiros, Suíte Sul Americana (Plano), Suíte Brasileira (para 2 pianos), Sarau de Sinhá - ballet (piano a quatro mãos e orquestra sinfônica), o ciclo O Natal Brasileiro - para coro misto, Ponteios para violão, Glória in Excelsis - para soprano e orquestra, além de numerosas peças avulsas para piano solo e música de câmara. Estas obras foram gravadas em pelo menos 18 discos LP e CD, no país e no exterior. Na qualidade de intérprete, mencionem-se os dois últimos discos gravados: 12 valsas de Ernesto Nazareth, da SOARMEC e Os Pianeiros.

Foi membro dos dois conselhos do Museu da Imagem e do Som (música erudita e música popular), organizando e dirigindo a coleção de depoimentos ao vivo de um sem número de músicos brasileiros, como Francisco Mignone, Guiomar Novaes e Magdalena Tagliaferro.

No ano de 1965, sob os auspícios do Ministério das Relações Exteriores, levou a Paris o cunjunto de Ballet Folclórico do Brasil que se apresentou no Theâtre Sarah Bernhardt com grande sucesso. Durante muitos anos foi Diretor de Programação e Programador Cultural da Rádio MEC, com programas como Estampas Brasileiras e Mosaico Pan-Americano, ambos ligados à difusão da música.

Quando de sua passagem pela Campanha de Defesa do Folclore Brasileiro, dirigiu a série de documentários de mais de 40 discos Documentos Sonoros do Folclore Brasileiro. Bem como participou de pesquisas de campo, principalmente no seu estado natal, como a “Romarias de Canindé”, da série Romarias Brasileiras, realizada com apoio do Instituto Nacional do Folclore e da Embaixada da Itália no Brasil e o LP “A arte da Cantoria”, que reúne belíssima antologia sobre cantadores do nordeste brasileiro.

Sua viagem a Almofala, nos anos 70 ensejou por parte do IPHAN uma ação vigorosa pela recuperação daquela igreja de arquitetura colonial tomada pelas dunas. Escreveu artigos musicológicos, sobre Ernesto Nazareth, José Maurício Nunes Garcia, Villa-Lobos e Darius Milhaud.

Foi consultor brasileiro na finalização do filme It’s all true sobre fotogramas da obra inacabada de Orson Welles no Ceará, nos anos 40.

Recebeu da UNIRIO (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) o título de Doctor Honoris Causa pelo conjunto de sua obra.

A Fundação Casa de Rui Barbosa conferiu-lhe a Medalha Rui Barbosa pela sua contribuição à cultura brasileira.

Aloysio de Alencar Pinto foi membro titular da Academia Nacional de Música e da Academia Brasileira de Música, onde foi o 1º sucessor de Furio Franceschini na Cadeira nº 28.

 


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