Acadêmicos


 

 

Ilza Nogueira

 

Cadeira 27
Patrono: Vincenzo Cernicchiaro
Fundador: Silvio Deolindo Froes
1º Sucessor: Francisco Chiaffitelli
2º Sucessor: Padre Jayme Diniz
3º Sucessor: José Penalva


Ilza Nogueira (Salvador, Bahia) é Doutora em Composição pela Universidade de New York em Buffalo (PhD, 1985).  Professora Aposentada da Universidade Federal da Paraíba, desde abril de 2003 é Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música (Cadeira 27).

Sua formação de compositora foi orientada por Ernst Widmer. (Universidade Federal da Bahia, 1969-71), Mauricio Kagel (Musikhochschule Koeln, 1972-77), Lejaren Hiller e Morton Feldman (SUNY at Buffalo, 1982-85).   Ao lado da composição, realizou estudos em teoria da música orientados por John Clough (SUNY-Buffalo) e Janet Schmalfeldt (Yale University, 1989-1990).

Esteticamente diversificada, sua produção musical passou por diferentes interesses: pesquisa timbrística (anos 70), serialismo não dodecafônico (anos 80), e procedimentos intertextuais (desde os anos 90).  No entanto, comum a todas essas fases é uma estreita relação com a literatura. Na maioria de suas obras, a voz se faz presente, falada ou cantada, em solo ou coro, veiculando sons inarticulados ou textos poéticos.  Dentre os poetas brasileiros que inspiraram suas composições, incluem-se Augusto dos Anjos, Mário de Andrade, Thiago de Melo e W. J. Solha.

Ao lado da atividade composicional, atua na área de teoria analítica da música, dedicando-se especialmente ao estudo do repertório brasileiro contemporâneo, e principalmente às obras do Grupo de Compositores da Bahia.  É autora do livro Ernst Widmer, Perfil Estilístico(UFBA, 1997), e atualmente coordena a Pesquisa “Marcos Históricos da Composição Contemporânea na UFBA”, cujos produtos se encontram disponibilizados no site http://www.mhccufba.ufba.br.

 


Fundador

Silvio Deolindo Froes

Silvio Deolindo Froes (compositor, pianista, organista, professor e crítico) nasceu em Salvador (BA) em 26 de outubro de 1864 e faleceu nessa cidade em 3 de dezembro de 1948. Sua mãe, pianista, foi quem o iniciou na música. Em 1882, mudou-se para o Rio de Janeiro, para estudar na Escola Politécnica, mas optou por continuar na área musical, tendo como orientador Miguel Cardoso (harmonia). Em 1888, seguiu para a Europa, chegando a estudar com Charles-Marie Widor (composição e órgão) em Paris e, na Alemanha, com E. Welt e Felix Mottl (em Leipzig e Karlruhe, respectivamente). Ao retornar ao país, fixou-se em Salvador, passando a dar aulas de piano, órgão, teoria, composição e harmonia. Foi também professor do quadro do magistério público. Ocupou a direção do Conservatório de Música, ligado à Escola de Belas Artes, em 1898. Fundou e dirigiu, mais tarde, o Instituto de Música. Publicou artigos em jornais e revistas do país e exterior. Foi Fundador da Cadeira n. 27 da Academia Brasileira de Música.

Obras principais
Óperas inacabadas: Evangelina (1899); Queda de Babilônia (1902).
Música orquestral: Sinfonia em si bemol (1909); Souvernirs des vieilles gens (1900).
Música de câmara: Septeto para cordas e sopro (1897).
Música instrumental: Capricho opus 13 (1890); Deux feuiles d’album (1890); Paisagens tropicais n. 1, 2 e 3 (1900-1907); Petite suite (1888); Sonata (1896).
Música vocal: Au son des cloches (1889); Évocations (1893); Petit cimetière (1893),; Fleurs mourantes (1895); La Sirenetta (1902); Cavaleiro da morte (1903); Cantos elegíacos (1905); Lenda de Dona Sancha (1910).
Música sacra: Hino a Sant’Ana (1901); Salve Regina (1902); Ave Maria (1910); Hino a São Tarciso (1941); Natal francês (1942).

 


 1º Sucessor

Francisco Chiaffitelli

Francisco Chiaffitelli (violinista e compositor) nasceu em Campinas (SP) em 15 de março de 1881 e faleceu no Rio de Janeiro em 28 de julho de 1954. Iniciou seus estudos musicais e de violino com Simões Junior, e teve sua estréia como concertista aos nove anos de idade, no Teatro Novelli, de Juiz de Fora (MG). Dois anos depois, seguiu para a Europa para prosseguir seus estudos, ingressando no Conservatório Real de Bruxelas, na classe de Eugène Isaye. Lá ganhou, em 1897, o Primeiro Prêmio de Violino. Em 1899, concluiu o curso de harmonia, e em 1901 o de contraponto, recebendo um ano depois o Primeiro Prêmio de Fuga na classe de Edgar Tinel. Iniciou sua vida artística profissional apresentando-se como solista e camerista, e organizando um Trio que se apresentou na Sociedade Real , de Bruxelas. Excursionou pela Europa e América do Sul. Em 1911, foi nomeado professor catedrático do Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ), introduzindo ali a escola franco-belga de violino. Teve uma atuação importante nos meios musicais cariocas, criando junto com a cantora Camila da Conceição, a primeira Academia Brasileira de Música. Fundou também o Grêmio de Amigos da Música e o Centro de Cultura Musical, e foi membro do conselho técnico e administrativo da Escola de Música e diretor da Rádio Jornal do Brasil. Foi, ainda, Presidente de Honra da Escola de Música Santa Cecília, de Petrópolis (RJ). Foi sucessor de Sílvio Deolindo Froes na Cadeira n. 27 da Academia Brasileira de Música.

Obras principais
Música instrumental: Cismas de matuto, para piano; Fantasia brasileira, para violino e piano,
Música vocal: Seis melodias para canto e piano e A Balada do pingo d’água para coro.

 


 2º Sucessor

Padre Jayme Diniz

O compositor, regente, musicólogo e professor Padre Jayme Cavalvanti Diniz nasceu em Água Preta (PE) em 01 de maio de 1924. Estudou Filosofia no Seminário de Olinda e Teologia no Seminário Central de São Paulo. Em 1936, iniciou seus estudos de piano, teoria e solfejo em Pesqueira, PE, dando continuidade no Seminário de Olinda, onde foi organista (1941-1943) e regente de coro. Em 1945 apresentou sua Missa Mirabilis Deus. No ano seguinte, transferiu-se para o Seminário do Ipiranga em São Paulo, onde freqüentou as classes de Furio Franceschini e de frei Pedro Sinzig (composição sacra) e Paula Loebenstein (interpretação). É desse período a sua colaboração para a revista Música Sacra, de Petrópolis. Em 1951, fez estudos de técnica dodecafônica com C. Guerra-Peixe. Como participante do III Curso Internacional de Férias da Pró-Arte, em Teresópolis (1952), estudou com H.-J. Koellreutter (Regência), Ernst Krenek (Estética Musical) e Hilde Sinnek (História da Música). Em 1957, criou a Schola Cantorum Padre Jayme Diniz. No ano seguinte, foi aperfeiçoar-se no Instituto Pontifício de Música Sacra, de Roma, onde fez cursos com Higino Anglès (musicologia), Edgardo Carducci-Agustini (instrumentação), Domenico Bartoluci (polifonia) e Eugenio Cardine (paleografia musical). No Liceu Isabella Rosato, em Roma, estudou com Arnaldo Boreggi (contraponto e prática de coros). Em Paris, freqüentou o Instituto Gregoriano e o Conservatório de Música (1959).

Retornando ao Brasil em 1960, realizou o II Concurso Nacional de Música Sacra, sendo também nomeado membro do Departamento de Cultura da Prefeitura de Recife e convidado para fundar o Curso de Música, na Universidade Federal de Recife, onde foi nomeado professor de História da Música e Harmonia Complementar. Regeu, no mesmo ano, o coral da Escola de Belas Artes. Em 1961, presidiu a Comissão Arquidiocesana de Música Sacra de Olinda e Recife, foi professor de canto gregoriano e regente coral do Seminário de Olinda. Foi fundador e regente do Coro Guararapes. Também ministrou curso de história da música no Pontifício Colégio Brasileiro, em Roma. Publicou ensaios musicológicos em jornais, revistas e livros. Dentre eles, destaque-se: Músicos pernambucanos do passado (Recife, 1969-1971), Ciranda – roda de adultos no folclore pernambucano (Recife, 1960), Nazaré – estudos analíticos (Recife, 1963) e A Sinfonia de Alberto Nepomuceno (Recife, 1964), Organistas da Bahia, Velhos organistas da Bahia e Os Mestres de Capela da Santa Casa da Misericórdia de Salvador, tornando-se o mais destacado estudioso da música do nordeste brasileiro.

 


3º Sucessor

José Penalva

Nasceu em Campinas (1924), no Es­ta­do de São Paulo, onde estudou composição com Damiano Cozzella e Savino De Benedictis, e  na Acade­mia Santa Cecília de Roma com Boris Porena. Foi professor titular de contraponto e fuga e música contemporânea na Escola de Música e Belas Artes do Paraná. Fundador e Presidente da Sociedade Pró-Música de Curitiba, desenvolveu in­tensa atividade de concertos como diretor de coros. Foi regente do Teatro Carlos Gomes e Professor na Escola Superior de Música de Blume­nau. Teve obras publicadas na Alemanha e no Brasil e gravadas pelo Governo do Estado do Paraná e pela Fundação Cultural de Curitiba. Escreveu peças para coro, piano, música de câmara e música sacra. Faleceu em 2002.


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