Acadêmicos


 

 

Laís de Souza Brasil



Cadeira 23
Patrono: Leopoldo Miguéz
Fundador: Mozart Camargo Guarnieri


Laís é uma de nossas melhores pianistas e tem sido uma campeã na apresentação e divulgação de obras de compositores brasileiros. Nascida no Rio de Janeiro, em 1935, exibiu-se em público desde os sete anos de idade, como solista da orquestra infantil da Escola de Música da UFRJ. Estudava com Guilherme Fontainha e foi aperfeiçoar-se em Viena com Seidelhofer e em Milão com Andolfi. Apresentou-se com a OSB tocando obra de Paul Hindemith, sob a direção do autor, e especializou-se na interpretação de obras de Camargo Guarnieri, havendo oferecido a primeira audição do 5º Concerto para piano e orquestra, a ela dedicada. Fez várias turnês nos EUA, Europa e América Latina e recebeu numerosos prêmios e medalhas no Brasil e no Exterior, dentre os quais a de melhor interprete de música contemporânea (Londres, 1968).

 


Fundador

Mozart Camargo Guarnieri

Camargo Guarnieri é considerado o mais importante de nossos compositores modernos. O público e a crítica só lhe reconheceram a verdadeira estatura musical, após a consagração no estrangeiro. E sucederam-se os prêmios nos EUA, triunfos na América Latina, curiosidade pela sua obra nos grandes centros. Em menos de dez anos, aquele jovem promissor transformou-se no mais distinto compositor brasileiro de sua época. Nascido em Tietê (SP), em 1907, de pai siciliano e mãe paulista, estudou piano com o pai e muito moço teve de empregar-se como pianista de cinemas, a fim de concorrer para o sustento da família. Foi aluno de Ernâni Braga, Mário de Andrade, Sá Pereira e Lamberto Baldi, passando mais tarde a ensinar no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Atuou também como regente do Coral Paulistano e da Orquestra do Teatro Municipal da mesma cidade. Em 1938, conseguiu uma bolsa de estudo, obtida por concurso do Governo de São Paulo, e gozou-a em Paris, sob a orientação de Koechlin e Ruhlmann.

A guerra interrompeu-lhe o curso de aperfeiçoamento e pouco depois de regressar ao Brasil, em 1942, teve a satisfação de ver o seu Concerto para violino e orquestra obter o primeiro prêmio em concurso internacional. Camargo Guarnieri foi, sem dúvida, compositor de escola. Possuía todas as qualidades para ser considerado o maior dos músicos brasileiros vivos e o mais notável expoente de sua geração. Sólida cultura musical a serviço de fluente e refinada inspiração, felizmente temperada por louvável equilíbrio, dava-lhe direito a tais aspirações. Sua enorme obra encanta pelo bom gosto, segurança técnica e acabamento. Foi notável em quase todos os setores da criação musical: para piano celebrizou-se por seus Ponteios e pela Dança Negra; suas canções foram notáveis, nelas instilando o verdadeiro perfume do amor; seus numerosos concertos eram disputados pelos pianistas e violinistas; sua música de câmara era das mais refinadas de nosso repertório. Entretanto, sua música não teve a merecida projeção internacional, talvez devido a seu cunho nacionalista, que desagradava aos críticos e editores estrangeiros.

Obras principais
Óperas: Pedro Malasarte, 1932; Um Homem só, 1960.
Música orquestral: Sinfonia n. 1, 1944; Sinfonia n. 2, 1944; Sinfonia n. 3, 1952; Suíte infantil, 1929; Suíte IV Centenário, 1954; Abertura festiva, 1971.
Instrumento e orquestra: Choro, para clarineta e orquestra, 1956; Choro, para violino e orquestra, 1951; Choro, para violoncelo e orquestra, 1961; Variações sobre um tema nordestino, para piano e orquestra, 1953; Flor de Tremembé, para 15 instrumentos solistas e percussão, 1937.
Música de câmara:
Trio: Trio (1931); Quarteto n. 1 (1932); Quarteto n.2 (1944); Quarteto n.3 (1962).
Piano: Brinquedo, 1960; Canção sertaneja, 1928; O Cavalinho da perna quebrada, 1932; Choro torturado, 1930; Dança da pulga, 1969; Dança brasileira, 1928; Dança negra, 1946.

 


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