Acadêmicos


 

 

Guilherme Bauer

 

Cadeira 17
Patrono: Alfredo d'Escragnolle Taunay
Fundador: Francisco Casabona

1ª Sucessora: Yara Bernette
2ª Sucessora: Belkiss Carneiro de Mendonça


Guilherme Carneiro da Cunha Bauer, compositor e professor carioca, é atualmente um dos principais compositores da geração de vanguarda nascida nos anos 40 e 50. Formado exclusivamente no Brasil, foi aluno de violino de Iolanda Peixoto e Oscar Borgerth, e participou de grupos de câmara e da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC. Em 1977 organizou o grupo Ars Contemporânea que, durante sete anos, realizou inúmeros concertos visando divulgar, principalmente, o repertório brasileiro. Como compositor, teve aulas com Cláudio Santoro (contraponto e composição), Esther Scliar (análise musical) e Guerra-Peixe (harmonia, contraponto, fuga, composição e orquestração), constituindo, com este último, sólida e enriquecedora amizade.

Lecionou composição e orquestração na Universidade Estácio de Sá / RJ (1986 a 1999) e, desde 1983, vem lecionando na Escola de Música Villa-Lobos / RJ harmonia, contraponto, fuga, orquestração e composição.

Foi idealizador de dois importantes projetos de divulgação da música nacional: a gravação, em CD, de mais de 50 obras de compositores brasileiros pelo selo RioArte Digital, da Prefeitura do Rio de Janeiro e do Projeto Estréias Brasileiras, patrocinado pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) que, em 1997, encomendou e estreou 33 obras de autores nacionais.

Deu palestras sobre música brasileira, em 1996, nas universidades da Flórida, Miami e Houston, nos EUA. Em 1999, no Conservatório Bruckner, Linz (Áustria), participou de um ensaio público de sua obra Reflexos, encomendada e estreada pelo George Crumb Trio.

Seguiu, em seu período inicial, a estética do atonalismo. Posteriormente adotou uma linguagem livre apoiada, muitas vezes, nas tradições musicais populares. Contabiliza um total de oito prêmios em concursos de composição, com destaque para o Prêmio ESSO de Música Erudita, Concurso Latino-Americano da UFBa e Prêmio da Sociedade Cultura Artística de São Paulo/SP. Recebeu, em 1998, o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo Quarteto de Cordas nº 2.

O cd Partita Brasileira, lançado em outubro de 2002 e portador da etiqueta RioArte Digital, mais a chancela da Academia Brasileira de Música, aglomera parte da produção compreendida entre 1981 e 2001.

Durante a XVI Bienal de Música Brasileira Contemporânea, em novembro de 2005, foi realizada a primeira audição das Cadências para Piano e Orquestra, obra escrita através de uma Bolsa Vitae de Arte.

 


Fundador

Francisco Casabona

Paulistano de nascimento (16/10/1894), iniciou os estudos de música no Brasil. Transferindo-se para a Itália estudou no famoso Conservatório San Pietro a Majella, em Nápoles, onde diplomou-se em 1917. Destacam-se, entre seus professores, Alessandro Longo (famoso revisor da obra de Domenico Scarlatti), com quem estudou piano e Giovanni Barbieri, seu professor de composição. Voltando ao Brasil, foi ativíssimo como professor e diretor do Conservatório Dramático de São Paulo, onde trabalhou por quase 25 anos. Foi um dos fundadores da Sociedade Sinfônica de São Paulo, diretor da Rádio Educadora Paulista, membro do Conselho de Orientação Artística do Estado de São Paulo e destacado participante do movimento do canto orfeônico. Como compositor escreveu duas óperas, música sinfônica, camerística, instrumental e vocal. As óperas (escritas em italiano) Godiamo la vita e Principessa dell’atelier foram estreadas na Itália, respectivamente em Roma, em 1917 e Nápoles, em 1918. Escreveu três poemas sinfônicos: Crepúsculo sertanejo, de 1916, Nero, de 1915 e Noite de São João, de 1924. Suas obras camerísticas principais são Quarteto em sol menor para cordas e Sonata para piano e violino, em lá maior. Faleceu em sua cidade natal, aos oitenta e quatro anos, a 24 de maio de 1979.

Obras principais
Música orquestral: Nero (1915); Crepúsculo sertanejo (1916); Noite de São João (1924).
Ópera: Godiamo la vita (1917); Principessa dell’atelier (1928).
Música instrumental: Coco (1937); Maracatu (1964); Pindorama (1937); Sugestões (1929); Sonata em lá maior (1943).
Música vocal: Canção das duas folhas; Coral sertanejo.

 


1ª Sucessora

Yara Bernette

Nascida em Boston, nos Estados Unidos, em 14 de março de 1920, veio para o Brasil com apenas seis meses. Estreou, com onze anos, durante um concerto infantil no Teatro Municipal de São Paulo, onde sete anos mais tarde estrearia profissionalmente como solista, com a Orquestra Sinfônica Municipal, sob a regência de Souza Lima. Sua estréia internacional ocorreu em 1942, no Town Hall de Nova Iorque. A partir de então realiza sua movimentada e premiada carreira concertística, estendida à Europa, onde a criação musical brasileira esteve sempre presente. Entre seus momentos mais importantes como solista com orquestras estão: a apresentação em Paris, de Bachianas Brasileiras nº 3 sob a regência do autor e no Festival Brahms durante a Semana de Gala da Filarmônica de Berlim sob a regência de Karl Böhm. Recebeu prêmios no Brasil e no Exterior. Em 1972, passou a viver na Alemanha onde lecionou na Escola de Música e Arte Dramática de Hamburgo. Nesse país gravou para a Deutsche Grammophon. Foi jurada em importantes concursos internacionais de piano. Com Airton Pinto (violinista) e Antonio Lauro Del Claro (violoncelista) formou o "Artistrio". Faleceu em 30 de março de 2002.

 


2ª Sucessora

Belkiss Carneiro de Mendonça

Nascida na cidade de Goiás, Belkiss Carneiro de Mendonça iniciou seus estudos musicais com sua avó Maria Angélica da Costa Brandão (Nhanhá do Couto), grande incentivadora da música no Estado de Goiás.

A partir de 1945, quando concluiu o curso de piano na Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil, na classe do Professor Paulino Chaves, Belkiss Carneiro de Mendonça passou a aperfeiçoar-se com renomados professores e músicos como Joseph Kliass, Camargo Guarnieri e Arnaldo Estrella, entre outros, iniciando uma brilhante carreira como concertista. Dedicou-se, desde 1946, ao estudo e pesquisa da música brasileira, divulgando-a através de gravações, recitais, concertos, publicações, cursos, palestras e conferências em vários países da Europa e em todas as Américas. Seu trabalho, quer no plano regional, nacional ou internacional, representou, sobretudo, um esforço multidisciplinar e laborioso para a consolidação de uma consciência musical no plano erudito. Em 2002, foi eleita para a cadeira nº 17 da Academia Brasileira de Música. Faleceu em Goiânia, em novembro de 2005.


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