Acadêmicos


 

 

Almeida Prado

 

Cadeira 15
Patrono: A. Carlos Gomes
Fundador: Oscar Lorenzo Fernândez
1º Sucessor: Renzo Massarani


Considerado um dos expoentes da criação musical brasileira da atualidade, José Antonio Resende de Almeida Prado nasceu em Santos, São Paulo, a 8 de fevereiro de 1943. Discípulo de Dinorah de Carvalho (piano), Osvaldo Lacerda (harmonia) e Camargo Guarnieri (composição), seu nome conquistou prestígio nacional em 1969, ao conquistar o primeiro prêmio do I Festival de Música da Guanabara, com a cantata Pequenos Funerais Cantantes, sobre texto de Hilda Hilst. Executada então no Teatro Municipal do Rio de Janeiro pelo Coro e a Orquestra do teatro sob a regência de Henrique Morelenbaum, teve como solistas Maria Lúcia Godoy e Eladio Perez Gonzáles. Do júri internacional que premiou sua obra faziam parte Guerra-Peixe, Roberto Schnorrenberg e Ayres de Andrade, do Brasil, Fernando Lopes Graça, de Portugal, Franco Autori, dos Estados Unidos, Hector Tosar, do Uruguai, Roque Cordero, do Panamá, Johannes Hoemberg, da Alemanha, e Krzysztof Penderecki, da Polônia.

O prêmio, oferecido pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Guanabara e entregue em palco aberto pelo Secretário Gonzaga da Gama Filho, permitiu ao jovem compositor realizar um estágio de dois anos na Europa, incluindo uma breve permanência em Darmstadt para trabalhar com Gyorgy Ligeti e Lukas Foss e um longo período em Fontainebleau e Paris, recebendo a orientação de mestres como Nadia Boulanger e Olivier Messiaen. Sem renunciar aos valiosos ensinamentos de Camargo Guarnieri, os contatos com a música e as idéias de grandes expoentes da música européia contemporânea abriram para o jovem brasileiro perspectivas novas, ampliando os seus horizontes e estimulando a sua fértil imaginação criadora, levando-o a construir uma forte personalidade musical própria sobre os pilotis de uma severa disciplina formal e técnica e uma inesgotável fantasia musical. Extremamente prolífero, seu catálogo de obras já é um dos mais consistentes e volumosos da criação musical brasileira de hoje, tendo a ecologia e a religiosidade como referências permanentes.

Sua diversificada produção inclui, entre muitas outras, obras de grande porte como a Missa da Paz, os Pequenos Funerais Cantantes, a Trajetória da Independência (Prêmio do Governo do Estado de São Paulo), o oratório Therèse ou l’Amour de Dieu. a Paixão segundo Marcos, o Ritual para sexta-feira santa, a cantata Bendito da Paixão de Jesús de Nazaré, o oratório Villegaignon ou Les Isles fortunées (estreado na França), além de um conjunto significativo de obras sinfônicas, entre as quais a Sinfonia nº 1 (Prêmio Lili Boulanger), os Arcos sonoros da catedral Anton Bruckner, a Sinfonia dos Orixás, obras para piano e orquestra como Aurora, Exoflora, Concerto nº 1 e Variações Concertantes, e para violino e orquestra como a Fantasia (encomenda da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro para comemorar a visita do Papa João Paulo II) e a Sinfonia Oré Jacy-Tatá, inspirada na constelação da bandeira brasileira e encomendada pelo Ministério da Cultura para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento – ambas estreadas por sua filha, a violinista Constanza de Almeida Prado. Para piano solo, compôs uma série de Cartas Celestes, visões sonoras dos céus do Brasiil, e também Rios, de inspiração ecológica, sonatas, sonatinas, variações e peças avulsas. É autor, ainda, de diversas canções e obras corais e para outros instrumentos, além de música de câmara. Suas obras têm sido executadas com freqüência e com grande êxito no Brasil e no Exterior e têm merecido numerosos prêmios.

Obras principais
Música orquestral: Cidade de São Paulo (1981); Sinfonia dos orixás (1985-86); Sinfonia Apocalipse (1987); Variações concertantes para marimba, vibrafone e cordas (1984); Concert Fribourgeois (1985) e Concerto para piano e orquestra (1983).
Música coral: Ritual para a Sexta-feira Santa para coro e orquestra (1966); Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (1967); Pequenos funerais cantantes para coro, solistas, orquestra (1969); Carta de Patmo para coro, solista e orquestra (1971); Thèrèse ou l’Amour de Dieu para coro e orquestra (1986); Cantata Bárbara Heliodora para solistas, coro misto e orquestra de câmara (1987); Cantata Adonay Roi Loeçar para solistas, coro e orquestra de câmara.
Música instrumental: Sonata para violoncelo (1980); 3 Sonatas para violino e piano; Sonata para viola e piano (1983); Réquiem para a paz (1985); Sonata para flauta e piano (1986); Trio marítimo para violino, viola e piano (1983); Livro mágico de Xangô para violino e violoncelo (1984).
Música para piano: Cartas celestes (1974); 9 Sonatas; Noturnos; Prelúdios; Variações; 6 Momentos; Ilhas; Rios; Itinerário idílico e amoroso ou Livro de Helenice (1976); 3 Croquis de Israel (1989); Rosário de Medjugorje (1987); 15 Flashes de Jerusalém (1989).

 


Fundador

Oscar Lorenzo Fernândez

Um dos quatro grandes do período de afirmação do nacionalismo musical brasileiro, ao lado de Villa-Lobos, Francisco Mignone e Camargo Guarnieri, Oscar Lorenzo Fernândez, de ascendência espanhola, nasceu no Rio de Janeiro a 4 de novembro de 1897. Depois de iniciar estudos de Medicina, que não concluiu, decidiu-se pela música, ingressando aos 20 anos para o então Instituto Nacional de Música, onde estudou piano com Henrique Oswald e matérias teóricas e composição com Frederico Nascimento, Francisco Braga e Luciano Gallet, recebendo também a orientação de Alberto Nepomuceno.

Como compositor, depois de um período inicial sob influência francesa, optou pela estética nacionalista com o Trio Brasileiro, de 1924, produzindo, a partir daí, uma obra de grande significação e qualidade artística, que contribuiu decisivamente para a consolidação do que se poderia chamar de escola brasileira de composição. Mesclando elementos musicais das culturas indígena, africana e européia, sua consistente produção inclui os bailados Amaya e Imbapara, a ópera Malazarte, a suíte Reisado do Pastoreio, cujo Batuque tornou-se conhecido mundialmente inclusive em gravações de Toscanini e Bernstein, duas Sinfonias, Concerto para violino e orquestra e Concerto para piano e orquestra, as Variações Sinfônicas para piano e orquestra, além de grande número de obras de câmara, para coro, piano solo, violão e canto e piano. Particularmente significativa é a sua produção pianística, que inclui páginas antológicas como as três Suítes Brasileiras e a Valsa Suburbana.

Igualmente importante é a sua contribuição para a canção de câmara brasileira, cujas características definitivas se consolidam em sua vasta produção nesse gênero. Em suas últimas composições, registra-se um alargamento de seus horizontes, com a incorporação de elementos mais livres de linguagem e um grande esmero no tratamento da forma. A par de sua contribuição como compositor, Lorenzo Fernândez teve uma atuação de liderança também como organizador e animador cultural, tendo participado da fundação de instituições como a Sociedade de Cultura Musical, em 1920, o Conservatório Brasileiro de Música, em 1936 – e do qual foi diretor – e a Academia Brasileira de Música, em 1945. Em plena atividade e maturidade criadora, morreu a 27 de agosto de 1949, depois de dirigir um concerto de obras suas na Escola Nacional de Música, da qual era professor.

 

 


1º Sucessor

Renzo Massarani

Mais conhecido no Brasil por sua longa atividade como crítico musical do Jornal do Brasil, Renzo Massarani nasceu em Mantua, Itália, a 26 de março de 1898. Realizou sua formação musical em Parma, Viena e Roma, tendo tido, entre outros, a orientação de Ottorino Respighi na Academia Santa Cecilia de Roma, da qual se tornaria professor. Como compositor, é autor de diversas obras sinfônicas, de câmara e para vozes, tendo obtido grande êxito com a ópera Noi due, premiada em concurso internacional. Durante longos anos atuou como regente do famoso Teatro dei Piccoli, em Milão, com o qual realizou diversas viagens pela Europa e as Américas. Em 1939 transferiu-se para o Rio de Janeiro, vítima das perseguições políticas e raciais do fascismo italiano. Aqui, confessando-se decepcionado e traumatizado com a proibição de suas obras em seu próprio país, abandonou a composição, dedicando-se contudo ao ensino da música, à elaboração de arranjos e principalmente à crítica musical, que exerceu com seriedade e independência, procurando sempre apoiar os novos talentos. Naturalizado brasileiro em 1945, foi membro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais e da Academia Brasileira de Música. Morreu a 28 de março de 1975.


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