Acadêmicos


 

 

Eudóxia de Barros

 

Cadeira 14
Patrono:Elias Álvares Lobo
Fundador: Dinorah de Carvalho

 

O grande e saudoso maestro Eleazar de Carvalho vaticinou o futuro desta grande pianista quando ela despontava - aos 16 anos!!! - na vida musical brasileira, com as seguintes palavras: - "Certo de que a Srta. Eudóxia de Campos Barros será, dentro de muito pouco, a pianista brasileira de maior aceitação, deixo aqui os meus cumprimentos pela brilhante execução do Concerto de Villa-Lobos". Palavras essas vindas de um maestro exigentíssimo e habituado a lidar com grandes solistas internacionais!! Dali em diante, a artista só fez lapidar o brilhante puro com que Deus a presenteou: o seu imenso talento. Impôs-se uma disciplina férrea, trabalhou muito e conheceu escolas diferentes, extraindo-lhes o melhor e descartando obviedades. No dizer do crítico Carlos Vergueiro, ainda na década de 70, àquela altura da carreira, ela não mais necessitava de apresentações, com quem estudou, o que estudou e por onde andou, pois já era uma artista completa, lutando pela ingrata e difícil posição que escolheu ou que a vida escolheu para ela: ser uma pianista. Eudóxia percorreu Europa e Américas, colecionando "curriculum" invejável e críticas maravilhosas em muitos idiomas, dentre elas várias do saudoso brasileiro José da Veiga Oliveira, que a colocava "prima inter pares" das pianistas brasileiras da sua geração. Apresentou-se nos mais longinquos rincões deste nosso Brasil, que ela ama verdadeiramente. Hoje, em seu auge técnico e artístico, poucos de sua geração podem ombrear com a sua bagagem de conhecimentos adquiridos com garra, labor e amor incondicional ao piano. Não decepcionou, pois, o seu profeta. Tornou-se um nome conhecidíssimo, mesmo por pessoas leigas e, indelevelmente ligado a Ernesto Nazareth, a quem respeitou e gravou obras na escrita original, restaurando-lhe o devido valor musical. Seu repertório internacional é vasto, porém é vastíssimo o número de composições brasileiras de todas as épocas e estilos que domina. Sabiamente, não deita sobre os louros. Apesar de haver estudado com os maiores nomes do ensino pianístico no Brasil e Exterior - para citar apenas como exemplo Guilherme Halfeld Fontainha, no Brasil - vale-se dos preciosos conselhos do compositor e professor Osvaldo Lacerda, seu marido, o qual dirige um enfoque específico para sonoridade, análise minuciosa das obras que aborda e um profundo respeito pelos textos dos compositores, razão pela qual é considerada sua melhor intérprete. Não bastasse, Eudóxia possui a inquietude dos exigentes e está sempre à procura de maior crescimento - a humildade que caracteriza os grandes! - Assim, ultimamente, após preparar o seu programa anual, leva-o à apreciação do insigne maestro Henrique Morelembaum, um dos nossos maiores da atualidade, conhecido e respeitado pela sua extraordinária acuidade auditiva musical e exigência nos fraseados, além de grande autoridade em Música como um todo.

É fundadora e Vice-Presidente do Centro de Música Brasileira e acumula muitos prêmios e honrarias tais como APCA, FUNARTE, no Brasil e North Carolina Symphony, nos EUA. É imortal pela Academia Brasileira de Música e membro de diversas entidades. Solista de orquestras estrangeiras e das mais importantes nacionais, atua sob regência de grandes maestros. Gravou muitos LPs, CDs e um recente DVD. Sua figura meiga e bonita está sempre presente em programas de TV e Rádio; e a Rádio Cultura FM (talvez a única paulista a transmitir somente música erudita) vem transmitindo  suas gravações com maior frequência, reconhecendo o seu grande valor. Na área do magistério, faz parte de bancas julgadoras de concursos pelo Brasil afora e transfere seus conhecimentos a privilegiados alunos, em meio às inúmeras viagens. Conseguiu ainda escrever um livro - "Técnica Pianística", o qual traz, a título de prefácio, uma carta de estímulo, da qual transcrevemos um trecho e, ao final, a assinatura do missivista: - "Você tem muita autoridade para escrever um livro destinado aos que se iniciam na luta pela aquisição de conhecimentos básicos da técnica pianística, pois passou toda uma existência estudando e executando as mais complexas páginas do repertório do piano, tanto nacional como internacional. Sua vivência como pianista, que venceu galhardamente mil e uma dificuldades para atingir a culminância de sua carreira, empresta-lhe a indispensável autoridade para indicar aos jovens o caminho a seguir." Assinado, M. CAMARGO GUARNIERI".E ele, se ainda estivesse entre nós, continuaria muito feliz ao ouvir as suas obras pela sua mais fiel intérprete.

Esta grande artista, orgulho dos paulistas, ao contrário de tantos, optou por viver no Brasil, embora ciente de todas as nossas limitações e dificuldades nas áreas culturais, muitas vezes regidas por políticos não voltados para as artes. Nunca aceitou bater asas para fixar-se no estrangeiro em nome da carreira com moedas mais fortes. E nós, brasileiros que também amamos a nossa terra, sempre lhe seremos gratos.

 

E-mail: eudoxia@eudoxiadebarros.com.br

 


Fundadora

Dinorah de Carvalho

Compositora e famosa professora nascida em Uberaba, Minas Gerais, em 1895. A família transferiu-se para São Paulo e a menina começou a estudar piano, ainda pequenina, no Conservatório Dramático e Musical. Em 1916 terminou seu curso de piano com distinção e iniciou turnês como recitalista.. Na França , aperfeiçoou-se com Isidor Philipp, e depois na Itália. Mário de Andrade era um admirador de Dinorah e apresentou-a a Lamberto Baldi, com quem continuou a estudar composição e regência. Com Martin Braunwieser tomou classes de orquestração. Nomeada inspetora de ensino superior, foi uma das fundadoras da Orquestra Feminina de São Paulo, cujos concertos obtiveram considerável repercussão em São Paulo. Em 1954 Dinorah recebeu a medalha de ouro do IV Centenário da fundação da cidade por seu trabalho pela formação musical das crianças paulistas. Em 1960, apresentou-se novamente em concertos na Europa. Sua obra de compositora, no entanto, não foi extensa. Souza Lima organizou no Teatro Municipal de São Paulo um festival de obras de Dinorah de Carvalho, em 1960. Dentre elas recordo Arraial em festa, uma suite sinfônica, três Danças brasileiras, para piano, cordas e percussão; Missa de profundis (1977), Contrastes, para piano e orquestra, além de música de câmara e para coro. Dinorah gozava de notável prestígio em São Paulo, onde até hoje se ouve falar nela com carinho e admiração.

 

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