Acadêmicos


 

 

Paulo Bosísio


Cadeira 08
Patrono: D. Pedro I
Fundadores: Luis Cosme e José Siqueira
1ª Sucessora: Alice Ribeiro
2º Sucessor: Arnaldo Senise

 

Nascido em 1950 no Rio de Janeiro, estudou violino com Yolanda Peixoto e análise musical com Esther Scliar, e posteriormente na Europa com Max Rostal. Formou-se com grau máximo e distinção.
Na qualidade de concertista apresentou-se como solista de orquestra, recitalista e camerista, por diversos países Europeus. No Brasil, solou com todas as orquestras importantes do cenário musical.

É professor do bacharelado de Violino na UNI-RIO e convidado para os mais importantes cursos e festivais no Brasil. Alguns de seus alunos foram premiados em importantes concursos nacionais e internacionais.

Foi fundador e por dezessete vezes (17) Diretor Artístico do Curso Oficina de Música de Curitiba, festival que por vezes congregou cerca de mil e duzentos (1200) participantes, onde foi criado o "Simpósio Latino Americano de Música".

Para estes Festivais (Curitiba) várias peças de compositores brasileiros foram especialmente encomendadas.
Como primeiro violino do Quarteto da UFF, excursionou na Inglaterra e na Escócia, com programa exclusivamente brasileiro, fazendo gravação dele para a BBC. Também com este Quarteto realizou a primeira gravação mundial do Quarteto nº 4, de Villa-Lobos em disco. Como solista e camerista realizou inúmeras primeiras audições de música brasileira

Participou das mais diversas Bienais de Musica Contemporânea, executando em primeira audição mundial peças de José Penalva, Sonata para violino solo, de David Korenchendler, além de inúmeras outra obras. Foi Diretor Artístico e Spalla da Orquestra de Câmara Brasil Consorte, que estreou várias obras em primeira audição.

Gravou para a Orquestra de Câmara de Curitiba, atuando como maestro, com programa inteiramente brasileiro (Santoro, Emani Aguiar, H. Morozowicz e Guerra-Peixe). Executou em primeira audição no Brasil a Sonata nº 5, de Cláudio Santoro.

Em concertos no ano de 2004, com a parceria da pianista Lílian Barretto, executou programa integralmente brasileiro nos festivais "Festival Musical du Chateâu de Ia Follie” (Bélgica) e "Festival di Grottammare", segunda edição (Itália).

 


Fundador

Luis Cosme

Compositor gaúcho, além de violinista e musicólogo, Luis Cosme deixou uma obra relativamente pequena, em parte por ter falecido com apenas 57 anos (Porto Alegre 1908 - Rio de Janeiro, 1965). Estudou música no Conservatório de Porto Alegre, onde foi aluno de Assuero Garritano, e ganhou uma Bolsa para estudar violino e composição em Cincinatti, Ohio. Após breve estada em Paris, voltou para Porto Alegre onde fez a sua estréia como compositor, em concerto público, em 1931, na Sala Beethoven. No mesmo ano apresentou sua obra no Rio de Janeiro, onde passou a morar a partir de 1932. A sua mais importante obra, o bailado Salamanca do Jarau, foi estreada pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sob a regência de Villa-Lobos, em 1936. No ano seguinte, a mesma obra foi regida em São Paulo, por Francisco Mignone, com a Orquestra Sinfônica Municipal. É de se notar que ambos os regentes foram presidentes da Academia Brasileira de Música. A atividade profissional de Luis Cosme se concentrou no Instituto Nacional do Livro e na Rádio MEC. Escreveu vários livros sobre música, entre eles um Dicionário musical (1957) e Música, sempre m úsica (1959). De sua obra destacam-se, além da já citada, o bailado Lambe-lambe, um quarteto de cordas, peças para piano e para violino e canções.

Obras principais
Música orquestral: Prelúdio (1936); Idéia fixa nº 1(1937); Salamanca do Jarau (1937); O Lambe-lambe (1937); O Menino atrasado (1946).
Música de câmara: Pequena suite (1932); Quarteto nº1 (1933).
Música instrumental: Canção do tio Barnabé (1931); Dança do fogareiro (1931); Saci-pererê (1930); Mãe d’água canta (1931); Oração a Teiniaguá (1932).
Música vocal: Balada para os carreteiros (1931); Acalanto (1931); Aquela china (1931); Colonial (1932); Gauchinha (1932).

 


Fundador

José Siqueira

A cadeira nº 8 da ABM foi alocada para José Siqueira como co-fundador, depois que o efetivo da Academia se reduziu de 50 para 40 cadeiras. A vastíssima obra deste compositor paraibano nascido em Conceição, na Paraíba, em 1907 e falecido no Rio de Janeiro, em 1985, sua importância como educador e o papel de liderança que ele exerceu no meio musical de sua época, colocam-no como uma das grandes figuras da música brasileira no século XX. Durante toda sua juventude Siqueira atuou em bandas de música de várias cidades do interior da Paraíba (o seu pai fora o mestre da Banda Cordão Encarnado, em sua cidade natal). Veio para o Rio em 1927, ingressando na Banda Sinfônica da Escola Militar, como trompetista.

Entre 1928 e 1930, estudou no antigo Instituto Nacional de Música, já tendo antes recebido aulas de Paulo Silva. Estudou composição com Francisco Braga e Walter Burle-Marx, formando-se em Composição e Regência em 1933, quando se apresentou em concerto público, pela primeira vez, como compositor. Ao lado de sua carreira de compositor e regente, foi professor catedrático da então Escola Nacional de Música da Universidade do Brasil. Em 1940 fundou a Orquestra Sinfônicas Brasileira e formou-se em Direito em 1943. Viajou pelos Estados Unidos e Canadá e, em 1949, fundou a Orquestra Sinfônica do Rio de Janeiro.

Em 1953, viajou para Paris onde regeu a Orchestre Radio-Symphonique e freqüentou o curso de musicologia da Sorbonne. Regeu várias orquestras na Itália, Portugal e na ex-URSS. Em 1961 é um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Nacional e, em 1967, cria a Orquestra de Câmara do Brasil. Em 1969 foi aposentado, à revelia, pela ditadura militar, devido à sua pregação democrática. Siqueira participou da criação de várias entidades de classe e culturais, entre elas a Ordem dos Músico do Brasil. Publicou vários livros didáticos tais como Canto dado em XIV lições, Música para a juventude (em quatro volumes), Sistema trimodal brasileiro, Curso de Instrumentação, entre outros. Seu catálogo de composições é colossal e vai desde a ópera, o oratório e a sinfonia até a música de câmara, para instrumentos solos e para voz. Toda a obra de Siqueira está vinculada a uma estética nacionalista, com forte coloração do nordeste brasileiro.

José de Lima Siqueira, ao falecer, aos 78 anos, na cidade do Rio de Janeiro, no dia 22 de abril de 1985, além de óperas, cantatas e concertos, deixou um currículo de agitador cultural incomparável. Dentre as inúmeras matérias publicadas pelos jornais na ocasião e que se referiram à sua vida e à sua obra, eis aqui transcrito o final da matéria assinada por Luiz Paulo Horta, no Jornal do Brasil:

"...Além de méritos como compositor, regente e animador cultural, Siqueira deixa também a imagem de um ser humano da mais alta qualidade – professor dedicado, amigo de seus amigos e da própria música. Com pouquíssimas pessoas, neste Rio de Janeiro, a música terá uma dívida tão grande.”

 

 


1ª Sucessora

Alice Ribeiro

Alice Ribeiro, soprano, nasceu no Rio de Janeiro em 1920 e faleceu em 1988. Foi aluna de Murilo de Carvalho. Venceu concurso nacional de canto em 1936, realizando, desde então, inúmeras turnês nacionais e internacionais, particularmente nos Estados Unidos da América e nos países do leste europeu notadamente na Rússia, onde apresentou-se em concertos e gravou discos sob a regência de seu marido, o compositor José Siqueira. Foi sucessora de Luis Cosme na cadeira nº 8 da Academia Brasileira de Música.

 

 


2ª Sucessor

Arnaldo Senise

Arnaldo José Senise nasceu em Jaú, São Paulo, em 1945 e faleceu na cidade de São Paulo, em 2007. Dedicou sua vida a divulgar e reinterpretar aspectos técnicos e estéticos da música, ao mesmo tempo como jornalista, pedagogo e pesquisador. Sua atividade musicológica se manifestou nos textos de grande discernimento crítico, em programas de concerto e encartes de CDs como os da série Grandes Pianistas Brasileiros. Porém, sua maior contribuição para a música brasileira foi a edição da Sinfonia em mi menor, de Alexandre Levy.

Arnaldo Senise diplomou-se pelo Conservatório de Música de Jaú e continuou seus estudos de piano, estética e análise musical com Sophia Mello Oliveira de 1897 a 1980, dileta discípula de Luigi Chiaffarelli. Graduou-se, também, na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas. Como professor, lecionou matérias como Análise musical, História da m úsica, Estética musical e Música brasileira. Participou de júris de concursos musicais e foi Sócio Benemérito da Sociedade Brasileira de Musicologia, da qual foi diretor de 1982 a 1985. Integrou a diretoria eleita sub judice para a reestruturação da Academia Brasileira de Música, foi Conselheiro da Comissão Municipal de Cultura de São Paulo e autor de cerca de 100 publicações, entre ensaios, estudos e trabalhos científicos.

Obras Principais
A Célula ritmica e a Linguagem musical; Crítica e interpretação musical; A Expressão musical de Maria Callas; Frederic Chopin, o precursor dos precursores; Hugo Wolf: a m úsica pela poesia; Na música, um duelo entre o homem e o robot; A Canção popular e o cancionista; Antonietta Rudge, a intérprete de Wagner; Bach, produto de influxos medievais e Desfazendo o mito e desvelando um monstro; Musicologia – a ciência; O Gênio e a criança: em torno de Amadeus; As Empresas e o patrocínio à música; A Liberdade do homem e a música; Villa-Lobos e a implantação do canto coletivo; Mozart: o quarteto das dissonâncias; Villa- Lobos e a música de Bach; Leonard Bernstein; A Arte do órgão em Furio Franceschini (encarte CD Contemporary Digital Arts 930404 S. Paulo); Carlos Gomes: o que há de extraordinário; A Profecia de Verdi; Bidu Sayão.

Estudos sobre Guiomar Novaes: Guiomar Novaes: um estilo; A Arte inimitável de G.N.; A Volta da primeira dama do piano; 0 Retorno de G.N. a S.Paulo em 1913; Guiomar Novaes (encarte CD CID 48/5); G.N. em Compact Disc; O Centenário de G.N. (Guia do Ouvinte Cultura FM Nº 87); A Arte e a grandeza de G.N. (Qualis Nº25/95).

Estudos sobre Alexandre e Luiz Levy: A Harmoniosa lição de modéstia de um mestre; Sinfonia, de Alexandre Levy (Partitura Ed. IMESP / FUNARTE / Soc.Bras.Musicologia SP 1986); A Sinfonia de Alexandre Levy.


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