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Roberto Tibiriçá
Cadeira 05 |
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Nascido em 1954, na cidade de São Paulo, Roberto
Tibiriçá começou sua carreira como pianista e camerista, recebendo fortes influências
de Guiomar Novaes, Magda Tagliaferro, Dinorah de Carvalho, Nelson Freire, Gilberto Tinetti
e Peter Feuchtwanger. Porém, seus conhecimentos musicais não bastavam apenas para tocar
piano...queria seguir o difícil caminho da Regência Orquestral! Como Diretor Artístico da RGE/FERMATA foi o responsável pelo início das gravações de música clássica em gravadoras brasileiras, tendo entre elas o único LP gravado no Brasil pela grande pianista Guiomar Novaes interpretando somente música brasileira. Recebeu o prêmio de Melhor regente orquestral, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Lei Sarney como revelação na área de Regência orquestral. Fundou em São Paulo a Orquestra Nova Filarmonia, que entre outros artistas acompanhou Luciano Pavarotti, a Orquestra Nova Sinfonieta e a Orquestra de Câmera Da Capo (conjuntos formados pelos melhores músicos da cidade) e onde realizou a primeira audição da Petite Messe Solennelle, de Rossini. Em 1995 foi eleito pela crítica especializada do Rio de Janeiro como o Músico do Ano.Trouxe várias primeiras audições nesta cidade em seus concertos com a OSB como a 2a Sinfonia e as Danças Sinfônicas, de Rachmaninoff, e a ópera The Rape of Lucretia, de Benjamin Britten além de várias obras de autores brasileiros, inclusive a gravação do CD em Homenagem ao Papa João Paulo II com 5 obras inéditas dos compositores Ricardo Tacuchian, Ronaldo Miranda, Edino Krieger, Almeida Prado e David Korenchendler. Ainda com esta orquestra participou de diversas edições do Projeto Aquárius entre as quais se destacam a 2a Sinfonia, de Gustav Mahler, na Enseada de Botafogo em 1996, para um público estimado em 150 mil pessoas e no Aterro do Flamengo, na Missa campal celebrada por Sua Santidade, o Papa João Paulo II, para cerca de 2 milhões de pessoas, em 1997. Convidado pela Direção artística do Theatro Municipal do Rio de Janeiro realizou, em 1998, o Ciclo Beethoven, onde foram executadas as 9 Sinfonias, os 5 Concertos para Piano, o Concerto Tríplice e o Concerto para Violino com o teatro completamente lotado. Desde o ano 2000 passou a ser o Diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Petrobrás Pró Música do Rio de Janeiro sendo o responsável pelo alto nível artístico que este conjunto alcançou, levando o mesmo a receber o Prêmio Carlos Gomes, em sua primeira edição nacional, como o Melhor Conjunto Orquestral em 2001 e lotando suas temporadas tanto no Theatro Municipal como na Sala Cecília Meireles. As viagens com a OPPM alcançaram enorme sucesso de público obrigando a colocação de cadeiras extras no palco, junto à orquestra. Sua criatividade na programação e o resgate dos famosos Concertos Matinais aos domingos pela manhã, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, atraíram um público novo composto em sua maioria por jovens, formando assim novas platéias. Gravou com esta orquestra ao vivo neste Theatro Municipal 2 CDs dedicados à música brasileira: um com Wagner Tiso interpretando ao piano suas Cenas Brasileiras e o outro com duas das obras mais cobiçadas e esquecidas em gravações: o Concerto para piano em formas brasileiras, de Hekel Tavares, com o pianista Arnaldo Cohen e o Choros nº6, de Villa-Lobos. Criou a série "O Artista Brasileiro", realizada na Sala Cecília Meireles, onde só se apresentaram artistas nacionais e que foi recebida com muito carinho pelo público desde sua idealização quando assumiu a OPPM. Os três concursos também idealizados por Roberto Tibiriçá (o Concurso para Jovens Solistas Armando Prazeres, o Concurso para Jovens Regentes Eleazar de Carvalho e o Concurso para Jovens Compositores Cláudio Santoro, este em parceria com a Academia Brasileira de Música) têm recebido grandes elogios por sua iniciativa e apoio à juventude. Juntamente à música clássica, desenvolve intensa atividade com os clássicos populares brasileiros em concertos com Wagner Tiso (com quem tem uma parceria já há 10 anos), Rita Lee, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Zizi Possi, Sivuca, Frejat, Simone, Ivan Lins, Francis Hime, Paulo Moura entre outros. É convidado para realizar eventos dos mais diferentes motivos como a Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro desde sua primeira edição, em 1996. Por sugestão do pianista Nelson Freire, foi convidado por Martha Argerich para reger o concerto de abertura do Festival Marthas Argerich, em Buenos Aires, fazendo sua estréia no Teatro Colón, em novembro de 2001, onde a maior pianista deste século tocou sob sua regência o Concerto em sol, de Ravel, juntando-se a outros artistas com quem teve a oportunidade de trabalhar como Nelson Freire, Arnaldo Cohen, Barry Douglas, Lílian Zilbersntein, Joshua Bell, Antonio Meneses, Mikhail Rudy, Jean Louis Steuerman, Boris Belkin, Eugene Fodor, Wolfgang Meyer, Cristina Ortiz, Bernard Greenhouse, Antonio Barbosa, Bela Davidovich, Pascal Roge, Ana Botafogo, Marcelo Misailidis entre outros... Roberto Tibiriçá é considerado um dos melhores regentes da atualidade pela crítica especializada trazendo sempre em seu repertório obras de interesse artístico e público preservando assim seu objetivo de formação de novas platéias. Por este motivo recebeu em 28 de Novembro de 2002 o título de Cidadão do Estado do Rio de Janeiro, concedido pela Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro por seus serviços prestados à cultura do Estado desde sua vinda, em 1994. No dia 26 de Março de 2003 foi eleito para ocupar a cadeira de nº5, cujo Patrono foi o Pe.José Maurício Nunes Garcia, da Academia Brasileira de Música. Home: www.robertotibirica.com.br
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Frei Pedro Sinzig Frei Pedro Sinzig foi o primeiro ocupante da cadeira nº 5. Nasceu em Linz, na Áustria, em 29 de janeiro de 1876. Após estudar música em sua terra natal veio para o Brasil, fixando-se, inicialmente, em Salvador, Bahia, em 1893. Após naturalizar-se brasileiro em 1898 e ordenar-se sacerdote, passando pelo sul do Brasil, é transferido para Petrópolis em 1908. Fixou-se posteriormente no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro. O grande destaque da vida musical de Frei Pedro foi ser o principal agente em prol da música sacra no Brasil, tornando-se uma espécie de conselheiro com relação às questões musicais e litúrgicas. Politicamente, combateu o nazismo no Brasil e ainda jovem foi capelão do Exército na Campanha de Canudos. Em 1941 cria a revista Música Sacra com o objetivo de ser um veículo divulgador e, antes de tudo, orientador sob o ponto de vista estético, musical e religioso das obras destinadas à Igreja. Foi publicada pela Editora Vozes de Petrópolis e foi mantida até o ano de 1959. Outra importante contribuição de Frei Pedro Sinzig foi a Escola de Música Sacra, fundada em 1943, e que tinha por fim preparar dirigentes para coros litúrgicos, segundo as regras eclesiásticas. Em Petrópolis, era responsável pelo Coro dos Teólogos Franciscanos. Como compositor, deixou numerosa obra, na sua maioria religiosas, de estilo bastante conservador e de caráter funcional. Destacam-se 12 missas, 2 Te Deum, e grande número de obras para os diversos serviços religiosos. Escreveu também obras profanas, algumas de caráter didático, como os 100 Prelúdios para órgão e as Fantasias sobre modinhas populares para violino e piano e outras de pretensões mais ousadas como as Rapsódias Brasileira e Mariana para piano, posteriormente orquestrada. Ficou inacabada a ópera Frei Antônio. No campo didático deixou uma importante contribuição com os livros: Os Segredos da Harmonia (1918), Sei compor (1919), O Brasil canta (1938) e o Dicionário musical (1945) que durante anos foi o único em seu gênero no país. Até recentemente seus manuais Os Segredos da Harmonia e Sei compor foram utilizados amplamente no interior do país pelos músicos que não tinham acesso à literatura musical, sendo importantes agentes na formação musical. Foi também um consultor e conselheiro de muitos compositores nos assuntos referentes à composição de música religiosa, inclusive de Villa-Lobos, que dedicou a Frei Pedro sua Missa S. Sebastião. Frei Pedro Sinzig faleceu na Alemanha, em 1952. Obras teóricas e musicológicas |
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Padre João Batista Lehmann O Padre Lehmann foi o segundo ocupante da cadeira n º5. Possivelmente, o acadêmico que menos teve pretensões artísticas: a sua missão musical, ou melhor, seu apostolado musical foi sempre em favor de uma música funcional litúrgica, digna de fazer parte dos atos religiosos. Era alemão, nascido em Mertloch. na Renânia, em 1873. Estudou música desde criança, dedicando-se ainda mais aos estudos musicais depois de entrar para a Congregação do Verbo Divino (SVD). Foi ordenado sacerdote em 1899 e no ano seguinte veio para o Brasil, indo atuar na Academia de Comércio de Juiz de Fora como professor e músico.A música na Igreja Católica vivia um período de decadência que se iniciara ainda na primeira metade do Século XIX. Pio X, preocupado com a situação promulgou o Motu próprio, baseado nas idéias dos "cecilianistas", visando a originalidade do canto religioso livre das melodias operísticas e a valorização do canto gregoriano.Lehmann, chegando ao Brasil, iniciou um grande trabalho, apesar de todas as dificuldades, por uma nova música funcional na Igreja. Faltavam partituras, livros de canto gregoriano e a mentalidade dos músicos de Igreja estava dominada pelo operismo. As aberrações eram incríveis: cantava-se trechos de óperas com textos religiosos em português. Até o Hino da Independência era cantado com a melodia do hino alemão e o texto de Evaristo da Veiga!Sem alardes, pouco a pouco, foi encontrando músicas e textos corretos, mudando a mentalidade, criando coros masculinos e femininos (na época o coro misto era proibido) e, na falta de músicas para festividades, passou a compor música religiosa.Em 1922, deixou o Colégio e passou a atuar como diretor do Jornal Lar Católico. No entanto não deixou de compor. Assim, surgiu o livro de cantos a uma ou mais vozes com acompanhamento de harmônio: Harpa de Sião, que até o Concílio Vaticano II era encontrado em todas as igrejas e capelas católicas do Brasil. Sua fama de compositor litúrgico afirmou-se em todo o País. É verdade que teve grandes aliados como seu próprio antecessor acadêmico Frei Sinzig. Publicou depois um funcional Método de Harmônio que, como a Harpa, teve várias edições. Em 1925 passou a viver no Rio de Janeiro. Em 1946, criada a Comissão Arquidiocesana de Música Sacra do Rio de Janeiro, foi convidado para integrá-la e nela permaneceu até o fim de sua vida.Além do grande número de composições, quase todas religiosas e funcionais, escreveu livros de caráter religioso, destacando-se Na luz perpétua em dois volumes, com biografias de santos, que também teve várias edições. Foi eleito para a Academia Brasileira de Música, tomando posse a 27 de setembro de 1954, sendo saudado por Octávio Bevilacqua. Faleceu no dia 13 de outubro de 1955, aos 82 anos de idade. |
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Cleofe Person de Mattos Terceira ocupante da cadeira nº 5, era professora, regente e musicóloga sendo responsável por duas grandes realizações: a Associação de Canto Coral e o maior estudo já realizado acerca de um compositor brasileiro, no caso, seu patrono José Maurício Nunes Garcia. Fundou e dirigiu durante mais de cinqüenta anos a Associação de Canto Coral, o grupo vocal mais importante, historicamente, do Brasil, cujo vastíssimo repertório inclui obras de todos os períodos da história da música, sendo responsável por inúmeras primeiras audições mundiais, contemporâneas e brasileiras. Grandes compositores e regentes brasileiros e estrangeiros estiveram à frente da ACC, a convite de sua fundadora, destacando-se Villa-Lobos e Stravinsky, sendo que a quantidade de apresentações do conjunto é admirável. Exerceu o magistério na Escola de Música da UFRJ. Foi eleita para a ABM em 1964. Suas múltiplas atividades no movimento coral foram internacionalmente reconhecidas, sendo eleita, na Venezuela, primeira Presidente da Associação Interamericana de Regentes Corais, em 1978. Presidiu, também, a Sociedade Brasileira de Musicologia no biênio 1983-1985. Integrou a Comissão Nacional de Folclore do I.B.E.C.C. (1948-1960), a Sociedade Internacional de Musicologia, em Genebra, na Suíça, o Conselho de Música Erudita do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro e o Conselho da Casa do Estudante do Brasil do Rio de Janeiro. Foi redatora, na Rádio MEC, do programa "Obras primas do Canto Coral". Em 1957 recebeu a Medalha Silvio Romero, em 1958, a Medalha do Jornal do Comércio do Rio de Janeiro, em 1989, a Medalha Biblioteca Nacional e em 1995, o Prêmio Nacional da Música, na categoria de Musicologia, conferido pela FUNARTE /MinC. Com Luis Heitor e Mercedes Reis Pequeno, publicou em 1952 a Bibliografia musical brasileira (1820-1950). Deve-se a Cleofe Person de Mattos o resgate da obra musical de José Maurício.A partir das primeiras revisões feitas por Miguez e Nepomuceno, iniciou um longo e detalhado trabalho de pesquisa histórica, identificação de obras e documentos, levantamento de partituras, apresentações, encontro de músicas perdidas, publicações de textos e músicas, culminando na publicação de dois livros: o Catálogo Temático das obras de J.M.N.G. (Conselho Federal de Cultura - MEC-1970) e José Maurício Nunes Garcia Biografia (Biblioteca Nacional-1997). Foi Cleofe, portanto, quem confirmou definitivamente a presença de José Maurício nos programas de concerto e posteriormente nas pesquisas universitárias. Sua missão em prol da obra do chamado "Padre-Mestre" incentivou seguidores, hoje chamados de "mauricianos". Faleceu em 5 de maio de 2002. |
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